'O navio não está desgovernado', diz presidente interino da operadora Oi

'O navio não está desgovernado', diz presidente interino da operadora Oi

Cúpula da companhia se reuniu para traçar uma estratégia para acalmar o mercado; as ações da Oi despencaram na Bolsa por dois dias consecutivos com a renúncia do executivo Zeinal Bava

MARIANA SALLOWICZ, MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2014 | 02h05

Em meio ao derretimento das ações da Oi na Bolsa por dois dias seguidos, a alta cúpula da companhia se reuniu ontem com o presidente interino, Bayard Gontijo. O objetivo foi traçar uma estratégia para comunicar ao mercado que, apesar da saída de Zeinal Bava, a companhia não está sem rumo, manterá a reestruturação operacional e será protagonista no movimento de consolidação do setor.

"Sem a Oi, a consolidação não acontece", disse Bayard ao Estado. As ações preferenciais da empresa tiveram queda de 13,16%, na mínima de R$ 1,32. No dia anterior, caiu 8,73%. "Eu estou convicto que temos todas as condições de superar os desafios, estou há 11 anos na Oi. Tenho história e experiência no setor, isso aqui não é uma aventura", disse Bayard. "O navio não está desgovernado." Bayard conta com o apoio dos acionistas brasileiros, que estão sem pressa para procurar novo executivo.

Sobre a queda das ações, afirmou que a reação do mercado é natural. "A gente acabou de ter uma mudança de trajetória da companhia, o Zeinal (Bava, ex-presidente) é muito respeitado pelo mercado, é natural que crie uma instabilidade em relação ao futuro. A parte que me cabe é assumir o comando rapidamente". Bayard quer ver as ações da Oi "em outro patamar" no prazo de 36 meses.

O presidente disse que iniciativas positivas de Bava serão mantidas, mas "há ajustes naturais". "Aos poucos vamos fazer as mudanças que achamos que são importantes", afirmou, sem detalhar o que poderá mudar.

Venda. Gontijo disse que a fusão com a Portugal Telecom não será desfeita, mas admitiu que os ativos portugueses podem ser vendidos. "Nós vamos vender os ativos que os acionistas entendam adequados ao movimento de consolidação no Brasil." O Estado apurou que além da francesa Altice, outras operadoras europeias e grandes fundos de investimentos estão interessados na PT, avaliada entre 6,5 bilhões e 7 bilhões. "A Altice está mais próxima, mas outras intenções de propostas chegaram", afirmou uma fonte familiarizada com o assunto. Com a venda, o dinheiro da PT entraria direto no caixa da Oi. O comprador também teria a opção de assumir dívida.

O BTG Pactual, sócio da Oi, foi contratado para atuar como comissário mercantil para apresentar alternativas de consolidação. "O BTG também é responsável por apresentar plano de 'funding' (financiamento) para a gente fazer a consolidação", disse.

Fontes ligadas à empresa afirmaram que a América Móvil, dona da Claro, e Telefônica/Vivo devem se manifestar em breve sobre um possível fatiamento da TIM Brasil - que também estaria analisando a Oi, "Estamos animados com um acordo que poderá ser anunciado em breve", disse uma fonte a par do assunto.

Segundo Gontijo, o projeto da companhia de ingressar no Novo Mercado da BM&FBovespa, até o primeiro trimestre de 2015 é prioritário e está mantido. Uma das principais preocupações do mercado é com o alto endividamento da companhia, de R$ 46,2 bilhões. Gontijo reconheceu que a companhia está alavancada, mas afirmou que a questão está sendo trabalhada. "A gente vai atacar o endividamento com controle de custos, de Capex (investimentos), com uma abordagem mais granulada dos investimentos, para buscar retorno de curto, médio e longo prazo".

Para isso, a empresa está cautelosa com a aplicação de recursos. Um exemplo foi a decisão de não participar do leilão do 4G, da frequência de 700 megahertz. Na entrevista, Gontijo destacou o dispêndio relativamente alto "em função não só da licença, mas como da limpeza da faixa de frequência", com um retorno que era de médio e longo prazo. "Nesse momento a gente pode fazer a utilização do capital em projetos que vão dar retorno de curto prazo".

Mensagem. Em sua carta de despedida enviada a colaboradores, Bava citou a necessidade de enfrentar desafios ao colocar os interesses da companhia acima das vontades próprias, segundo o Jornal de Negócios, de Portugal.

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