O novo ângulo de visão do Copom e a inflação prevista

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) não surpreendeu, porque era unânime a opinião de que a Selic seria mantida. E o comunicado da reunião insinua que até o final do ano ela ficará em 10,75%.

, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 00h00

Não se pode negar que, desde a reunião anterior, o Copom adota uma nova política, cuja base é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que analisa diversas atividades e se propõe a acompanhar a evolução da conjuntura econômica. Seria como um indicador do PIB mensal.

Até agora, o Copom insistia em que sua única missão é manter a economia no nível de inflação fixado pelo Conselho Monetário Nacional, com um horizonte de pelo menos seis meses à frente. Ao basear sua decisão no IBC-Br, o Copom opta por um novo objetivo: avaliar de que maneira os indicadores econômicos podem afetar os preços. É importante notar que, nesta visão, o que se apura no momento ganha importância em detrimento de um futuro mais longínquo, o que pode levar as autoridades monetárias a ficarem surpresas com alguns resultados imprevistos nos preços.

A base de cálculo do índice do Banco Central (BC) é o ano 2002, quando houve bom crescimento econômico. Para este ano, o índice mostra forte aumento no 1.º trimestre e depois um recuo até o final do 2.º, com a atividade se mantendo, até agora, abaixo do nível de abril.

Caberia ao BC comprovar a validade do seu índice, que mostra até então um crescimento de 9,3%, e, especialmente, que ele permite prever fatores suscetíveis de se traduzir por um aumento de preços.

Até alguns meses atrás o Copom dava grande importância à relação entre consumo doméstico e produção industrial, destacando o índice de Utilização da Capacidade Instalada (UCI). Hoje em dia temos dificuldades de comparar os dois indicadores, pois a importação está substituindo a produção nacional cada vez mais, ao mesmo tempo que reduz os preços no comércio. Uma mudança (desejada pelo governo) da taxa cambial poderá mudar totalmente o panorama atual.

Podemos concordar com o BC que a elevação de preços dos alimentos tem caráter sazonal e que não deve preocupar. Já a elevação do preço das commodities tem um aspecto diferente. Mas parece que o índice do BC é mais sensível à oferta do que à demanda, que está crescendo num ritmo muito acelerado nos últimos meses. A questão, no entanto, é que, dando mais atenção ao crescimento econômico, o Copom deveria considerar que sob esse novo ângulo a Selic está muito elevada...

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