Robson Fernandjes|Estadão
Robson Fernandjes|Estadão

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

O novo jeito de pensar e fazer medicina

Uso da nanorobótica permitirá tratamentos avançados e cirurgias menos invasivas; para especialistas, entraves dificultam pesquisas no País

Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2016 | 05h00

O uso da tecnologia é irreversível e transformará completamente a medicina nos próximos anos, comentaram especialistas presentes no painel “As máquinas do futuro: medical devices e nanotecnologia”, realizado durante o Summit Saúde 2016, promovido pelo Estado. Um dos campos mais promissores é a nanorobótica, que deve permitir diagnósticos e cirurgias cada vez menos invasivos.

Carlos Goulart, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde (Abimed), diz que sem tecnologia não se faz absolutamente nada, mas ressaltou que o Brasil está muito atrasado em inovação. Segundo ele, no mercado de dispositivos médicos, que movimenta US$ 350 bilhões por ano, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento são muito altos, com uma média de 8% do faturamento, considerando as 20 maiores empresas globais.

Ele destacou que os produtos evoluem com uma rapidez enorme, com um ciclo de vida da tecnologia de 24 a 36 meses. Entre as áreas com grandes mudanças, o presidente da Abimed citou as impressões 3D, que permitem, por exemplo, a fabricação de próteses customizadas, com maior rapidez e menor custo. Goulart também mencionou os biosensores, aplicativos de celular e as chamadas tecnologias “vestíveis”. “Cada vez mais o cidadão será gerente do seu corpo, mandando informações para os médicos.”

Goulart também comentou a questão da robótica e da telemedicina – prática que hoje ainda é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). “Creio que o próprio CFM já está revendo essa questão do atendimento médico por telefone ou teleconferência, pois é uma tendência natural.”

Participando do mesmo painel, a pesquisadora da USP Juliana Cancino falou sobre a fronteira do conhecimento representada pela nanorobótica. Ela destacou que atualmente já existem tecnologias que permitem o uso de robôs para diagnóstico e tratamento. Uma dessas aplicações é o uso de nanopartículas que conseguem detectar somente as células cancerosas. Com isso, através do estímulo com eletricidade ou magnetismo, os médicos elevam a temperatura dessas partículas e conseguem matar as células doentes, preservando as saudáveis. Também é possível englobar essas partículas em membranas celulares naturais, o que facilita a distribuição desses agentes pelo corpo e diminui a resistência na aceitação do remédio.

Gastos. Fernando Narvaez, diretor da Siemens Healthineers no Brasil, disse que quase dois terços dos gastos das operadoras de saúde estão relacionados direta ou indiretamente à tecnologia. “Antigamente, o bom cirurgião era o que fazia a maior cirurgia, o que abria mais o peito do paciente. Hoje em dia a atenção dos médicos está nos monitoramentos e equipamentos auxiliares. Quanto menos invasivo o procedimento, maior qualidade e segurança para o paciente.”

Ele mencionou o caso de uma nova tecnologia que permite a detecção de problemas no fígado através de um exame de sangue, sem precisar fazer uma biopsia demorada e dolorosa. “Com isso, não é preciso internação, você economiza muito e ainda zera o risco de contaminação hospitalar.” Narvaez explicou que atualmente a maior parte dos gastos das operadoras de saúde vai para o tratamento, mas a tendência é que diagnóstico e prevenção ganhem mais espaço.

A dificuldade de se fazer pesquisa científica no Brasil também foi levantada. Juliana disse que a liberação de importações, especialmente componentes biológicos, é muito demorada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.