O novo mundo da TV 3D

Nos últimos dois meses, tenho curtido o novo mundo das imagens tridimensionais de televisão (TV 3D). Por isso, não resisto à tentação de compartilhar com o leitor minha experiência nessa nova área do entretenimento. Minha primeira conclusão pessoal é de que as imagens 3D chegaram para ficar, embora ainda tenham pela frente uma longa evolução tecnológica. De qualquer modo, vale a pena avaliar seu estágio atual, suas limitações e perspectivas.

ETHEVALDO SIQUEIRA, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2011 | 03h07

Comecemos pelos equipamentos que utilizei em meu home theater: televisor 3D, de 47 polegadas de diagonal, tela de cristal líquido (LCD, de Liquid Crystal Display), iluminada por diodos emissores de luz (LED), para óculos passivos. Por fim, um toca-discos (player) para blu-ray 3D e um receiver com áudio surround 5.1.

Por esse conjunto de home theater 3D paguei R$ 6,2 mil. A boa notícia é que os preços desses produtos têm caído e tendem a cair ainda mais. Há um ano, um conjunto equivalente, mas ainda em 2D, custava mais de R$ 9 mil. Outra boa notícia é que o mercado brasileiro já dispõe de produtos com qualidade internacional. Em todo o mundo, o maior problema da TV 3D é a relativa falta de conteúdo. No Brasil, essa escassez é bem maior, pois a TV ainda não nos oferece praticamente nenhuma opção em programas regulares produzidos em 3D, tanto na TV aberta (broadcasting) como na TV por assinatura.

A única opção de que dispomos de TV aberta em 3D é a RedeTV, que faz transmissões em 3D no subcanal digital 9.2, em São Paulo. Mas a maioria desses programas é mera conversão 2D-3D. Pessoalmente, acho medíocre o resultado dessa simulação 3D. Mais por curiosidade do que por prazer, tenho assistido a transmissões de futebol e de novelas, em alta definição, com o recurso da conversão de imagens 2D para 3D.

Os blu-rays 3D. Na falta de programas de TV aberta ou por assinatura, restam-me as gravações em blu-ray 3D, que ainda são caras e raras no Brasil. São filmes como Avatar, Alice no País das Maravilhas, Fúria de Titãs, Piranha, Tron ou As Viagens de Gulliver. Ou desenhos como Toy Story (1, 2 e 3), Meu Malvado Favorito, Brasil Animado e Polar Express. Ou ainda os excelentes documentários: Copa do Mundo da Fifa 2010, Hubble-Imax (sobre o telescópio espacial) e Space Station-Imax (sobre a Estação Espacial Internacional, ISS).

Os documentários da Nasa sobre o Hubble e a Estação Espacial são, de longe, os melhores conteúdos em blu-ray 3D que tenho visto. A história do telescópio espacial, por exemplo, foi filmada por astronautas a bordo de um ônibus espacial acoplado ao Hubble.

Durante 40 minutos temos a sensação de estar em pleno espaço cósmico. Produzido com a tecnologia de cinema digital 3D Imax, o filme é narrado por Leonardo DiCaprio, que descreve as galáxias, quasares, pulsares, aglomerados de estrelas e corpos celestes que jamais pensaríamos poder ver com tanta nitidez. O filme sobre a ISS conta a história de sua construção e dos trabalhos ali desenvolvidos até 2009.

Outro blu-ray 3D magnífico é o da Copa da África de 2010. Ele nos dá uma ideia de como poderemos ver Copa de 2014 no Brasil, a primeira a ser transmitida integralmente em 3D pela TV aberta.

Gostaria muito de ter um blu-ray 3D experimental com a gravação de um concerto da Filarmônica de Berlim feito pelo Instituto Fraunhofer, da Alemanha. Achei maravilhoso.

Mal-estar. Muitos usuários se queixam de que, depois de ver TV 3D por mais de uma hora, sentem diversas formas de mal-estar, como tonturas, ardor nos olhos ou dor de cabeça. Esse mal-estar é mais sério quando o telespectador assiste a programas 3D nos televisores que exigem óculos ativos.

O mais desagradável dessa tecnologia é a sensação visual do pisca-pisca (flickering), resultante do movimento rápido de abertura e fechamento das microlentes que produzem a ilusão de 3D. Além de serem mais caros (entre R$ 150 e 200), os óculos ativos são mais pesados e mais complexos.

A solução que adotei foi usar um televisor com tecnologia de óculos passivos. Mais simples, mais leves e mais baratos (cerca de R$ 50), esses óculos eliminam o flickering.

Mas não é qualquer televisor 3D que permite o uso de óculos passivos, apenas aqueles cujas imagens 3D são produzidas na própria tela da TV com o uso de uma película adicional embutida, chamada Film Patterned Retarder (FPR) que produz o atraso das imagens destinadas a cada olho humano. E a qualidade subjetiva das imagens 3D é tão boa quanto à dos televisores 3D com óculos ativos.

Sem óculos. Não há dúvida de que a evolução tecnológica dispensará o uso de óculos especiais (glassless) para o cinema e a TV, num horizonte de cinco a dez anos. A Toshiba já lançou o primeiro televisor com esse sistema, mas a tecnologia ainda exige maior maturação.

A melhor percepção tridimensional só é obtida quando o telespectador se posiciona bem em frente ao televisor. Alguns dispositivos menores, como smartphones, tablets e netbooks, já mostram imagens 3D sem óculos, porque são vistos de perto e por uma única pessoa.

Se você é um early-adopter e compra toda novidade em primeiro lugar, está na hora de ingressar no mundo da TV 3D. Se não é, vale a pena esperar um pouco mais pelas novidades de 2012 ou 2013 - tanto em conteúdo como em equipamentos.

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