Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

O novo Pop star da internet

O sucesso e os desafios de Dennis Crowley, o criador do site de localização Foursquare

Jon Swartz, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2011 | 00h00

USA TODAY

Dennis Crowley é a mais recente celebridade do mundo da tecnologia. Ele estava no tapete vermelho na Gracie Mansion, a reputada casa do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, durante uma cerimônia de premiação neste mês. Minutos antes do ator hollywoodiano Matt Damon passar diante dos paparazzi, Crowley e seu sócio fundador da Foursquare, Naveen Selvadurai, posaram para as câmeras. Eles receberam um prêmio de novas mídias. "É só mais um evento", disse Crowley.

Há dois anos, ele e Naveen criaram um serviço de localização de usuários (LBS). O sistema permite que os internautas ganhem distintivos virtuais e outros prêmios quando fazem "check-in" indicando, por meio de um smartphone, o lugar que estão visitando.

Quanto maior o número de lugares visitados, mais alta é a posição alcançada no ranking de classificação entre amigos. O "check-in" frequente num local pode transformar o usuário em "prefeito". Isso pode soar como a personificação do egocentrismo - mas os nerds acolheram a ideia com entusiasmo.

Embora ainda opere no vermelho, o site Foursquare já levantou US$ 20 milhões em financiamento, sendo que o mais recente cheque foi de mais de US$ 100 milhões, segundo analistas.

Com outras empresas de mídia social se candidatando a IPOs, como Groupon e Facebook, as empresas de serviços de localização são a próxima fronteira das fusões e ofertas públicas, diz Ray Wang, analista e CEO da Constelattion Research.

O uso do "check-in" triplicou no ano passado nos Estados Unidos, segundo a empresa de pesquisa de mercado SNL Kagan. Muitos dos usuários são jovens: 44% têm entre 18 e 29 anos. Apenas 22% são mulheres. Seis em cada dez usuários de internet conhecem o serviço e mais da metade o utiliza, de acordo com uma pesquisa da Microsoft feita em dezembro e conduzida pela Cross-Tab Marketing Services na América do Norte, Alemanha, Japão e Grã-Bretanha.

O Foursquare não está sozinho nesse negócio. Um de seus concorrentes é o Facebook Places. Mas o produto de Crowley tem uma vantagem: a facilidade de uso e sua condição de pioneiro num mercado que está florescendo, diz Wang. (O Facebook não diz quantos dos seus 700 milhões de membros utilizam o Facebook Places e também não quis comentar esta matéria).

A trajetória de crescimento do Foursquare alimentou planos de contratação e expansão. O site deve chegar a 60 empregados - tinha apenas uma dúzia no ano passado - e pretende adicionar entre 50 e 200 mais, em Nova York, onde fica a sede, e em São Francisco, na Califórnia.

"As pessoas achavam que o Facebook Places seria o nosso fim, mas estamos observando um número cada vez maior de usuários", diz Crowley.

O serviço tem fãs devotados. Ryan Gerding, 38 anos, de Kansas City, é "prefeito" de 10 lugares e já fez "chek-in" 938 vezes. "Agora estou tentando uma prefeitura da minha mercearia local", diz.

O sucesso também trouxe desafios. À medida que cresce, o serviço tem que lutar para se tornar lucrativo, navegar em meio a preocupações com segurança e superar as investidas de detratores que consideram os serviços de "check-in" aplicativos frívolos e autopromocionais.

Mesa da cozinha. Desde o seu início, quando foi concebido em torno da mesa da cozinha no apartamento de Crowley em Nova York, o Fousquare tem sido objeto de fascínio e desprezo.

Crowley reconhece que o Foursquare foi desenhado por seus amigos, muitos deles com menos de 40 anos. Mas os usuários mais velhos estão vendo o benefício do "check-in" em lugares que vão desde casas de boliche até lojas, como ganhar prêmios digitais.

Ao todo, o Foursquare trabalha com 400 mil lojas. O Luke"s Lobster, em Nova York, adotou o site logo no início. Desde janeiro de 2010 tem usado o serviço para dividir sua clientela por gênero, grupo etário e tempo de "check-in". Sabendo quando os clientes o visitam, o restaurante oferece promoções quando as atividades estão mais lentas.

"No momento, é uma maneira excelente de saber quem são os nossos clientes", diz o proprietário do restaurante, Luke Holden. A próxima etapa, diz ele, é quantificar o que os clientes pedem e o impacto sobre os negócios. O restaurante já recebeu 6.163 "check-ins" de 4.171 pessoas.

Mas algumas lojas gostariam de ver mais movimento. "É uma combinação de pessoas que desconhecem o serviço e outras preocupadas com a privacidade", diz Donna Ricci, proprietária da Cockwork Couture, uma loja de roupas na Califórnia que adotou o Foursquare durante um ano.

Crowley e seus funcionários esperam tornar o serviço mais atrativo para comerciantes e consumidores. Entre seus projetos está um programa que permite aos usuários sair em busca de locais usando palavras-chave, como "tênis" ou "comida sem glúten".

O grupo está trabalhando também para que o "check-in" seja mais rápido e para tornar o software mais fácil para desenvolvedores terceirizados.

Em meio a tudo isso, o lucro não é a prioridade do Foursquare - pelo menos agora, diz Crowley. Ele está concentrado em manter e ampliar a empresa. "Vamos criar ótimos produtos e o resto vai se desenvolver sozinho", diz. "O Twitter fez isso. Criou grandes produtos e os usuários o seguiram."/TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINHO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.