O otimismo e a resistência dos pequenos empreendimentos

EDITORIAL

O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h09

As empresas de pequeno porte continuam protegidas da crise. Apesar do frustrante crescimento de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre - que fez os economistas reverem para cerca de 1% suas projeções para expansão da economia brasileira em 2012, muito menos do que os 4,5% previstos pelo governo no início do ano -, essas empresas continuam a crescer.

Em outubro, o faturamento das micro e pequenas empresas de São Paulo aumentou 15,3% em termos reais, isto é, descontada a inflação, na comparação com outubro de 2011, de acordo com pesquisa do Sebrae-SP. Na comparação com setembro deste ano, o aumento real foi de 7,9%. É, sem dúvida, um desempenho notável se comparado com o do restante da economia.

A direção do Sebrae-SP atribuiu o crescimento das empresas de pequeno porte do Estado à expansão do mercado interno, ao baixo índice de desemprego, de apenas 5,3% no País, e ao aumento da renda do trabalhador.

No entanto, não se espera, para o futuro próximo, a manutenção de todos esses fatores favoráveis ao crescimento das empresas voltadas principalmente para o mercado interno, como são as micro e pequenas empresas, na grande maioria dependentes do consumo das famílias.

A facilidade de crédito - caracterizada pela grande oferta de recursos por algumas instituições, sobretudo as controladas pelo governo federal, e pela redução dos juros reais, embora eles continuem muito altos - estimulou as pessoas a se endividarem para adquirir bens. Mas esse estímulo ao consumo está próximo de se esgotar, pois muitas famílias endividaram-se além de sua capacidade e hoje enfrentam o risco da inadimplência. A queda dos investimentos, detectada pelo IBGE, de sua parte, compromete a capacidade de produção futura das empresas.

No plano internacional, não há sinais visíveis de melhora na zona do euro, cujo crescimento continuará muito baixo. A dificuldade do governo americano para encontrar uma solução negociada para seus problemas fiscais torna o cenário mais nebuloso, o que deve afetar os programas de investimentos das empresas brasileiras e limitar o crescimento do PIB.

Nada disso tem sido suficiente para conter o ânimo dos micro e pequenos empreendedores paulistas. O Sebrae-SP constatou que metade deles espera a manutenção de seu faturamento - que alcançou níveis muito altos - nos próximos seis meses e 37% esperam aumento de sua receita em termos reais. Apenas 5% preveem faturamento menor nos próximos seis meses e 7% não sabem como será o futuro próximo. Esperamos que a maioria esteja certa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.