O pagamento dos saques nos caixas eletrônicos

Os clientes do Unibanco estão verificando, ao operar o caixa eletrônico da instituição, que caem no Banco Itaú, como, aliás, havia sido anunciado depois da fusão entre os dois estabelecimentos. A surpresa vem ao serem informados pelo equipamento que seus saques, doravante, estarão sujeitos a uma taxa de uso, aliás, não especificada. É o fruto da fusão...

, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2010 | 00h00

A informatização das operações bancárias, implantada em poucos anos no Brasil, é citada como exemplo no exterior não apenas pela rapidez com que se ampliou, como pela qualidade dos serviços e seu efeito sobre os custos dos bancos.

De fato, os clientes podem recorrer aos netbankings para conhecer seus saldos, fazer aplicações, transferir recursos, pagar suas contas, etc., com grande economia de tempo para si, aliviando ainda o trânsito nas cidades. Neste sentido, houve uma verdadeira revolução.

Não foram apenas os clientes das instituições financeiras que se aproveitaram da informatização. Elas também se beneficiaram. O principal efeito para os bancos foi a redução do pessoal empregado. De 1989 a 2009 o número de empregados no setor caiu de 810 mil para 290 mil e não apenas em razão da fusão entre estabelecimentos.

Com efeito, se consideramos o número de operações bancárias, verifica-se que passaram de 12 bilhões, em 1999, para 19 bilhões. Sem a informatização, os bancos estariam na obrigação de aumentar o número dos seus funcionários e de impor enormes filas aos seus clientes diante dos caixas, tornando impossível o respeito às normas de diminuição do tempo para serem atendidos.

Nesse período, as operações de caixa, apesar do aumento do número de clientes, caíram 5,7%, enquanto as operações realizadas pela internet aumentaram 557%.

Não se pode negar que os bancos foram os primeiros a se aproveitar das mudanças: aumentaram o número de contas correntes, elevando suas receitas. Para estimular o uso da informatização e compensar os investimentos nas suas atividades, especialmente na compensação de cheques, passaram a cobrar por sua distribuição, reduzindo ao máximo sua obtenção. E, desde que não puderam mais se beneficiar da inflação, aumentaram e diversificaram seus serviços.

Neste contexto, não se entende por que para sacar o seu próprio dinheiro da sua conta corrente os clientes se vejam na obrigação de pagar uma taxa de serviços. Caberia, pois, ao Banco Central intervir contra os abusos.

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