O papel de profissionais de TI

No início do século 20, apenas 13% da população mundial vivia em áreas urbanas. Hoje, somos 6,7 bilhões de habitantes na Terra e já há um número maior de pessoas vivendo em cidades do que no campo. Estima-se que, em 2050, 70% da população do planeta viverá em centros urbanos.

EXECUTIVO DE PARCERIAS EDUCACIONAIS DA IBM BRASIL, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h10

Você já imaginou o que essa transformação significa para o gerenciamento da infraestrutura e dos recursos do mundo? Se considerássemos apenas o que aconteceu de 1900 até hoje, as perspectivas não seriam muito otimistas.

As consultorias Pike Research e IDC, com base em dados levantados por inúmeras instituições, apontam cenários pouco eficientes em vários setores. Somente nos Estados Unidos são gastos atualmente cerca de 8,7 bilhões de litros de combustível por ano, durante as 3,7 bilhões de horas em que os carros ficam parados no trânsito.

A despesa gerada pelos congestionamentos em São Paulo chega a cerca de US$ 18 bilhões anuais. Quanto isso se traduz em termos de emissão de gás carbônico e aumento da poluição? Como seria possível diminuir esse consumo e reduzir o tempo que as pessoas gastam no trânsito? Como gerenciar o fluxo de um contingente de pessoas cada vez maior nos centros urbanos?

Hoje, cerca de 20% da população mundial sofre com a falta de água potável. Em 50 anos, a escassez de água poderá atingir 50% dos habitantes do planeta. Atualmente existem milhões de quilômetros de canos distribuindo água pelas cidades. Uma boa parcela desses canos tem mais de 100 anos.

Cerca de 60% da água distribuída pelas cidades é perdida devido a vazamentos e não chega ao destino previsto no volume ou no momento em que o usuário tem necessidade.

Eletricidade. Fato semelhante também ocorre com a energia elétrica. Somente com a eletricidade desperdiçada diariamente no planeta, poderíamos abastecer o Canadá, a Índia e a Alemanha por um dia. É possível aperfeiçoar os sistemas alinhando demanda e oferta e evitando desperdícios? Como administrar a crescente necessidade mundial por água e energia?

No setor alimentício os problemas não são diferentes. Por exemplo, na produção brasileira de soja, a perda chega a cerca de 35% devido à falta de tecnologia. No agronegócio, a situação é semelhante. Por ano, aproximadamente US$ 2,7 bilhões são gastos em consequência da deficiência de nossos portos. Como melhorar essa produtividade? Como gerenciar a produção desde o plantio das sementes até a chegada do alimento para o consumidor final? Como administrar a sazonalidade das safras, a logística e a distribuição?

A solução desses problemas está atrelada à análise de grandes volumes de dados que, inicialmente, podem parecer não ter nenhuma relação. No entanto, quando pensamos no quadro geral, percebemos que eles estão inter-relacionados e que as equações que gerenciam essas informações são extremamente complexas, com enorme quantidade de variáveis ao longo do tempo.

Está claro que por detrás da resolução desses problemas estarão os profissionais da tecnologia da informação, que precisam estar capacitados e motivados a desenvolver soluções que consideram desde a análise do ecossistema de uma floresta, como a identificação e a avaliação de cadeias de produção e distribuição de alimentos e fazem combinações com dados de crescimento demográfico, fluxos de trânsito ou demanda por meios de transporte.

Modelos. É por meio da tecnologia da informação que conseguiremos combinar dados importantes e resolver essas equações complexas para gerar mais sustentabilidade para o planeta. E, assim, melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes, quer seja com a criação de um modelo de trânsito mais eficaz ou com um processo de controle de uma cadeia produtiva inteira ou, ainda, com o monitoramento e a distribuição adequada dos recursos mais escassos.

Essas são as principais áreas onde o novo profissional de TI terá grandes oportunidades de crescimento e reconhecimento. Com ferramentas voltadas a business inteligence e data mining, grandes bancos de dados e equipes multifuncionais trabalhando juntamente com profissionais de diversas áreas do conhecimento, é possível desenvolver soluções específicas para as situações citadas acima e tornar as cidades e o planeta lugares mais inteligentes para se viver.

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