'O peso dos serviços explica as diferenças'

Em meio à desaceleração da economia, números do IBGE e do Caged dão sinais divergentes sobre a evolução do emprego

Entrevista com

MARCELO REHDER, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h10

Para Fábio Romão, economista da LCA Consultores, a distribuição geográfica do emprego em serviços pode explicar a aparente contradição entre os dados do emprego divulgados ontem. Enquanto o Caged continuou apontando perda de fôlego na criação vagas, o IBGE já mostrou alguma recuperação. "Como os serviços estão com desempenho melhor, a explicação pode ser o fato de que eles pesam mais no emprego metropolitano (medido pelo IBGE) do que no nacional (Caged)".

Há contradição entre os números do IBGE e do Caged?

Existe uma aparente contradição na ocupação. Dá para explicar a taxa de desemprego cair mesmo com a ocupação no Caged desacelerando. Não é novidade, já vem acontecendo desde a segunda metade do ano passado. Só que, até agora, a gente via enfraquecimento da ocupação tanto no IBGE quanto no Caged. O que causou estranheza foi a ocupação melhorar na pesquisa do IBGE e continuar fraca no Caged.

Eles não cobrem literalmente a mesma coisa.

O emprego informal não avançou. O que pode justificar essa diferença é o recorte geográfico diferente. O IBGE pesquisa o emprego metropolitano, enquanto o Caged é Brasil. Como o emprego em serviços está com desempenho melhor, a explicação pode estar aí. Os serviços pesam um pouco mais nas regiões metropolitanas do que no interior do País.

O que explica o aumento da ocupação e queda no desempego com a economia em desaceleração?

A evolução setorial esta bastante diferenciada. Hoje, temos um cenário em que o emprego industrial cresce pouco ou até encolhe. Pelo IBGE, no mês passado a ocupação cresceu 2,5% na comparação com maio do ano passado. Se olhar a indústria, foi horrível, uma queda de 1, 4%, diminuiu o tamanho do estoque de trabalhadores no setor nas regiões metropolitanas. Só que, por outro lado, tem uma construção que cresce 4,8%. Na LCA a gente soma serviços a empresas, administração publica, serviços domésticos e os outros serviços e chama de 'consolidado serviços'. Grosso modo é o setor de serviços. Ele cresceu 4,1% em maio. É uma bom crescimento inter anual, que acabou puxando o emprego como um todo.

É o aumento da renda que explica esse fenômeno?

A preservação do crescimento médio real da renda. Em 2010, esse crescimento foi de 3,8% e em 2011, de 2,7%. Para este ano, a gente projeta um aumento ainda maior, de 3,9%. Esses seguidos crescimentos reais da renda beneficiado o setor de serviços.

Qual é a tendência para o desemprego nos próximos meses?

Na nossa avaliação, a taxa média do segundo semestre vai ficar em 5,3%, ante 5,6% em igual período de 2011. Para o ano, a gente está com uma taxa média 5,6%, a mais baixa desde o início da série, em 2002. Até agra, a menor é a de 2011, de 6%.

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