Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

O petróleo ainda é nosso?

O que contamos aqui não é segredo e trata-se apenas de uma das faces do leilão do pré-sal. A estabilidade jurídica é essencial ao bom funcionamento do capitalismo e da democracia. Onde não há confiança nas regras paga-se risco político e/ou econômico. No Brasil temos verificado isso ao longo dos últimos anos. O partido que está no poder nos ofertou em discurso eleitoral o mais absoluto horror a qualquer processo associado à entrada do capital privado, sobretudo estrangeiro, nos negócios públicos. Ignorando uma tendência mundial e colocando na mesma cesta todo tipo de relação público-privada, o PT demonizou as concessões de estradas, de telefonia, a venda da Vale etc. O que poderíamos esperar? Tudo o que se distanciasse do que tacharam de "venda" do patrimônio público protagonizado pelo PSDB.

Humberto Dantas*, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2013 | 02h15

Mas o atual governo investiu sobre tal cenário. O problema é que de forma atabalhoada, com editais pouco atraentes, gerando desconfiança. Assim, em quem você investiria no Brasil em um momento de crise mundial? No governo que prega o não à iniciativa privada, no governo que gera instabilidade nas empresas que apostaram na coisa pública - como por exemplo aquelas de energia elétrica - ou no governo que descobriu tardiamente que sem essa aproximação não há prosperidade?

Dilma quer que você aposte na terceira opção. E por isso foi à TV pela sexta vez no ano em cadeia nacional afirmar que não privatizou nada, e que nunca antes na história desse país se fez negócio tão bom. O recado era direto à oposição, sob uso de um instrumento criado em plena ditadura e utilizado de maneira assustadora no atual governo - falamos dos pronunciamentos. Assim, segundo a presidente, chineses, franceses, holandeses e ingleses são apenas parceiros do País, que ficará com grande parte da produção e a converterá em benefícios sociais. Isso nos elevaria a um novo patamar, e certamente a conduzirá a um novo mandato.

Mas por que algo tão bom não atraiu outros competidores? Por que tivemos o bônus mínimo? O modelo de partilha com forte presença estatal assusta? Isso ela não explicou. Pudera, no mundo da economia os políticos aprenderam que é bom transmitir otimismo, sendo necessário saber apenas se otimismo demais acalma ou espanta. Parte do mercado deu sua resposta, o que fará o eleitor?

*Humberto Dantas é doutor em Ciência Política e professor do INSPER.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.