O PIB em 2017 e as expectativas

Os próprios números do IBGE para a primeira metade deste ano já apontam um estancamento da hemorragia

Bráulio Borges*, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2016 | 22h36

O IBGE apontou retração do PIB brasileiro pelo sexto trimestre seguido em termos dessazonalizados. Desde o início da atual recessão, no 2.º trimestre de 2014, o tombo acumulado chegou a quase 8%. É a recessão mais severa e prolongada já enfrentada pelo Brasil? Ainda não: para que isso ocorresse, o PIB teria de encolher pouco mais de 4% em 2016 (sobre 2015) – ante projeções que hoje sinalizam uma queda acima de 3% neste ano.

Mas, ainda assim, chegamos bem perto de repetir as grandes recessões brasileiras de 1981-1983 e 1989-1992. O ciclo recessivo atual, aliás, guarda similaridades com esses outros dois: todos ocorreram concomitantemente a expressivas quedas dos termos de troca da economia e, ainda, em momentos políticos conturbados.

Voltando ao presente, o que leva os analistas a projetarem um desempenho menos ruim nesta recessão? Os próprios números do IBGE para a primeira metade deste ano já apontam um estancamento da hemorragia, com segmentos importantes, como indústria (pelo lado da oferta) e investimentos (pelo lado da demanda) dando sinais de estabilização e/ou modesta recuperação. O indicador de probabilidade de recessão calculado pela LCA apontou probabilidade próxima de zero pelo terceiro mês seguido (desde junho), compatível com a caracterização do “fundo do poço” no 2.º trimestre.

Agora, ter batido no chão não diz muito sobre o que esperar da recuperação que deve vir daqui em diante. É bem verdade que tanto o desemprego, bastante elevado, como a ociosidade do parque produtivo tendem a atuar como fatores de inibição.

Quem ditará o ritmo dessa recuperação será a confiança dos agentes, que já mostrou melhora significativa. Se não houver grandes obstáculos que gerem frustração no meio do caminho, a economia pode até mesmo crescer acima de 2% em 2017. Cabe à política administrar essa incipiente virada no humor dos agentes.

*Economista sênior da LCA Consultores e pesquisador associado do Ibre/FGV

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