O pior da crise parece passar, segundo o Iedi

Houve leve melhora, entre 2015 e 2017, da situação patrimonial de 296 empresas não financeiras

O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2017 | 03h00

Houve leve melhora, entre 2015 e 2017, da situação patrimonial de 296 empresas não financeiras analisadas pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). As companhias pesquisadas enfrentaram o auge das dificuldades – medidas pelos critérios de endividamento líquido, rentabilidade e composição de ativos – em 2015. O pior começou a passar em 2016, mas “o ajustamento das empresas continua incompleto, o que concorre para reduzir as chances de uma recuperação vigorosa da economia brasileira em 2017”, segundo a Carta Iedi, divulgada há alguns dias.

Em 2015, a relação entre a dívida líquida e o patrimônio líquido – que indica se o endividamento supera o patrimônio – atingiu, em média, 113,7%, recuando no primeiro trimestre deste ano para 104,1%. O porcentual ainda é muito alto, em especial por causa dos juros, mas mostra alguma recuperação.

De um prejuízo líquido médio de 3,5% em 2015 as empresas evoluíram para um lucro médio de 2,9% em 2017 – ainda baixo, mas que reflete o aumento do ritmo da atividade. Também houve um incremento na geração de caixa, que favoreceu a quitação de dívidas financeiras. Efeitos positivos foram maiores nas áreas de siderurgia, vestuário, calçados, higiene e limpeza e máquinas e equipamentos.

Tomando só as empresas industriais, a dívida acumulada de R$ 322 bilhões em 2015 caiu para R$ 298 bilhões no ano passado, o que não foi suficiente, segundo a Carta Iedi, para compensar o aumento das dívidas de 2015. As despesas de capital, que traduzem o ritmo de investimentos, caíram até 2016, com raras exceções.

Além do Iedi, também o Centro de Estudos de Mercado de Capitais (Cemec-Ibmec) avaliou o grau de dificuldades de recuperação das empresas. A última nota Cemec sobre investimentos de empresas e famílias, divulgada há alguns dias, mostrou que houve pequena elevação (de 15,2% para 15,6% do PIB) da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no período de quatro trimestres, até o primeiro trimestre de 2017. Essa leve recuperação do investimento foi financiada por recursos vindos do exterior e por alguma recuperação de recursos do mercado de capitais, ao mesmo tempo que caía a participação dos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Há recuperação, o que é boa notícia, mas em ritmo lento. 

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