O pior efeito dos saques nas cadernetas de poupança

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O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2016 | 04h00

Os saques nas cadernetas de poupança limitam a recuperação imobiliária. Trata-se de um segmento com enorme dependência da captação de recursos e da oferta de crédito de longo prazo. Em todo o ano houve retiradas – em outubro, foi de R$ 1,77 bilhão a diferença entre depósitos e saques no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A captação líquida foi negativa em 21 dos últimos 22 meses, desde janeiro de 2015. A exceção foi dezembro.

O impacto sobre os mutuários potenciais é inevitável. Os tomadores dependem da captação das cadernetas (e dos depósitos no FGTS), pois são esses os recursos que permitem financiamentos a custo módico. Se eles escasseiam, o acesso à moradia fica mais difícil, pois os financiadores têm de oferecer linhas a juros de mercado, mais altos.

A sangria dos depósitos de poupança ocorre também na poupança rural do Banco do Brasil, mas é mais grave no SBPE, que aplica os recursos na construção ou na compra da moradia própria. O saldo nominal dos depósitos no SBPE diminuiu de R$ 508,2 bilhões, em outubro de 2014, para R$ 498,9 bilhões, em outubro de 2015, e R$ 498 bilhões no mês passado. Em dois anos, o SBPE perdeu R$ 10,2 bilhões, sem contar a inflação.

As cadernetas só voltarão a ser competitivas, na melhor das hipóteses, no ano que vem, se se confirmar uma redução do juro básico e da remuneração dos maiores competidores da poupança: os fundos de renda fixa. Nos últimos 12 meses, até 1.º de novembro, o rendimento líquido das cadernetas foi de 8,33%, menos do que um fundo DI com taxa módica de administração, com renda bruta anual de 14%. Além da competitividade insatisfatória, os saques nas cadernetas refletem o apuro dos trabalhadores decorrente de desemprego e perda de renda real. Considerando a premência das famílias para evitar empréstimos a juro alto e reduzir as dívidas, chega a ser notável a resistência das cadernetas.

Os saques nas cadernetas do SBPE já foram mais intensos: entre julho e outubro de 2015, superaram R$ 18 bilhões, caindo a menos da metade (R$ 8 bilhões) em igual período deste ano. Valores menores, mas ainda muito elevados, prejudicando a oferta de crédito.

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