O pior já passou e a retomada começou, diz Meirelles

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse hoje em audiência pública no Congresso Nacional que a economia brasileira já iniciou o processo de retomada do nível da atividade econômica. Ele afirmou que a rápida reversão das expectativas abriu caminho para que a retomada da atividade se iniciasse antes do que muitos imaginavam. "O pior já ficou para trás, as perspectivas para o futuro próximo da economia são muito mais positivas do que no final do ano passado", disse Meirelles. As afirmações de tom extremamente positivo foram feitas por Meirelles em uma sessão conjunta de cinco comissões do Congresso Nacional. Ele está apresentando, ali, a prestação de contas das atividades do Banco Central no primeiro semestre. De acordo com o presidente do BC, já é possível perceber sinais de retomada em diversos setores da economia brasileira. "Muito em breve esses sinais estarão ainda mais claros e dissiminados por todos os segmentos da economia", disse Meirelles. Para Meirelles, a economia brasileira tem todas as condições para crescer 3% ou mais no ano que vem e a taxas ainda maiores nos anos seguintes, ou seja, a partir de 2005. "Esse quadro favorável ao crescimento é resultado do compromisso permanente do governo com um processo de construção responsável do futuro fundado no equilíbrio das contas públicas, no cumprimento das metas de inflação e da consolidação do ajuste em nossas contas externas", disse Meirelles. Clima favorável ao investimento Meirelles disse que as políticas implementadas pelo governo têm conseguido reduzir as incertezas sobre a economia e criar um clima favorável à recuperação dos investimentos. "Um investimento depende de estabilidade e previsibilidade e o crescimento depende da retomada do investimento", disse. Meirelles afirmou aos parlamentares que há muitos anos o Brasil não reunia condições tão favoráveis para ingressar num processo de crescimento sustentado da economia sem gerar desequilíbrios nas contas externas ou pressões inflacionárias. Ele também destacou, em sua exposição inicial, a queda do risco Brasil de 2400 pontos, em setembro do ano passado, para cerca de 600 pontos este mês. Lembrou que esta redução representa um estímulo ao investimento. "A quedo risco provoca a redução no custo do financiamento. Consequentemente, representa um estímulo adicional ao investimento", disse. Juro real voltou ao que era em 2000Meirelles disse que a taxa de juros reais de médio prazo no Brasil está em cerca de 10,5%. "Este era o nível que prevalecia no início de 2000, quando a economia cresceu a taxas elevadas. Os efeitos positivos dessa redução sobre o nível de atividade estarão cada vez mais visíveis ao longo dos próximos meses", disse Meirelles. O presidente do BC também destacou o fato de que a queda das taxas de juro de longo prazo têm impulsionado a retomada do ritmo da atividade econômica. "O que realmente determina o comportamento da economia real é a curva de juros de longo prazo pois é ela que determina as taxas praticadas nos contratos de empréstimos", disse. Ele lembrou aos parlamentares que de novembro de 2002 a outubro de 2003 a taxa de juro de longo prazo já caiu pela metade, estando um pouco acima de 17% ao ano. Reunião adiada A audiência de Meirelles com a missão do Fundo Monetário Internacional, que estava prevista para hoje à tarde, foi adiada para manhã. Segundo a assessoria de imprensa do BC, o adiamento foi decidido em função da audiência pública da qual Meirelles participa no Congresso e da reunião da comissão de moeda e crédito (Comoc), que acontecerá hoje, para definir a pauta da reunião do Conselho Monetário Nacional, que acontece amanhã. A princípio, o encontro de Meirelles com a missão do FMI acontecerá às 15h30 de amanhã. Leia também: Massa salarial está se recuperando, diz MeirellesPara ler a íntegra do pronunciamento de Henrique Meirelles, clique aqui.

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