O poder da colaboração

Nos últimos anos, as empresas vivem grandes transformações organizacionais e estruturais. As novas tecnologias e a globalização tornam os negócios mais dinâmicos, ágeis e inovadores ao mesmo tempo em que aumentam a competição e a demanda dos consumidores. Somado a isso, a crise econômica e mudanças demográficas fazem com que vivenciemos uma situação nos mercados de trabalho de excesso de profissionais em algumas áreas e a escassez deles em outras.

VICE-PRESIDENTE GLOBAL DE AQUISIÇÃO DE TALENTOS DA IBM, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2013 | 02h19

Meio ambiente, qualidade de vida profissional e pessoal são outros temas que ganharam importância e fazem parte dos ideais de muitas companhias e funcionários. Diante de todas essas evoluções, as empresas precisam adaptar suas cultura e liderança para lidar com este ambiente mais veloz, interconectado e com menos fronteiras claras. Para obter bons resultados, os profissionais da área de RH, como eu, precisam identificar impactos e propor ações para transformar as relações de trabalho e a gestão de pessoas e mudar suas organizações.

Neste cenário, uma das questões que devemos buscar respostas é: quais são as novas fronteiras de trabalho neste mundo cada vez mais complexo e interconectado e como lidar com elas? A fórmula exata, infelizmente, ainda não existe. O que há são casos de empresas que investiram tempo, ideias e esforços nessas recentes demandas, e têm conseguido resultado promissor.

Um dos principais desafios talvez seja a adaptação para a conectividade, que inclui as redes sociais, um fenômeno impressionante! Negócios são construídos dentro e através delas e atos políticos são organizados por meio delas. Ou seja, ideias são geradas em um ambiente praticamente sem limites. Qualquer um pode colocar sua sugestão ou opinião na rede. Neste ambiente, experiência, classe social ou localização não têm importância.

Pensemos agora no ambiente de trabalho. Como essas ferramentas podem ser utilizadas por organizações? Elas podem quebrar barreiras hierárquicas e revelar a opinião dos colaboradores sem filtros. Podem, ainda, serem usadas para gerar inovação - imagine que se abra um debate virtual para resolver algum problema e que todos possam contribuir. É, até, intuitivo pensar no poder que essas ferramentas têm e como podem ultrapassar tradicionais barreiras físicas e hierárquicas.

E o desbalanceamento de oferta e procura de mão de obra qualificada? Algumas companhias estão criando modelos de trabalho diversificados para tentar sanar o problema. Além do já tradicional investimento em desenvolvimento dos colaboradores, ideias como nuvens de talentos (o trabalho indo ao talento e não o contrário), importação de profissionais qualificados de países com altos índices de desemprego, equipes virtuais distribuídas regional ou até mundialmente, flexibilidade de horário e de localização são alguns exemplos das medidas que ajudam a evitar o desperdício de talento e maximizar níveis de engajamento.

Os impactos da nova realidade também se refletirão nos modelos de líderes. É inevitável que a liderança tenha de mudar e ajustar-se ao novo ambiente mais dinâmico, incerto e maleável. Além de todas as transformações tecnológicas e das mudanças no mercado de trabalho, temos de salientar que hoje há várias gerações trabalhando juntas nas organizações. Líderes que têm como principal característica o comando e controle, em geral, serão menos eficazes do que os catalisadores de colaboração e inovação. Conduzir a diversidade de opiniões será a chave para gerar mais inovação.

De fato, o último estudo da IBM com CEOs em todo o mundo revelou que 71% dos executivos consideram o capital humano como a principal fonte interna de valor econômico sustentável das empresas. Serão os líderes com esse perfil que transformarão isto em realidade.

Em algum momento, essa postura será cobrada não apenas pelos colaboradores, mas também por clientes e fornecedores. Neste contexto, ainda que falte a cartilha de sucesso para se adaptar às transformações, será preciso entender e aprender sobre as fronteiras, ou falta delas, desse novo mundo, adaptar prioridades e modelos de liderança e gestão. Arrisco dizer que a capacidade de criar coletivamente e de várias formas será um pilar de sustentabilidade das organizações de destaque.

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