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O poder dos dados

A nova televisão é movida a informação. E não estou falando do seu conteúdo. Os dados gerados pelos espectadores ajudam a moldar, em tempo real, aquilo que é oferecido a ele. Um grande exemplo disso é a Netflix. A empresa de vídeo via internet sabe exatamente o que cada um assiste, quando assiste, se o espectador vai ou não até o fim de cada vídeo e o que ele escolhe ver na sequência.

RENATO CRUZ, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2013 | 02h05

"A Netflix é diferente para cada assinante", disse Jonathan Friedland, executivo-chefe de comunicação da empresa, que esteve no Brasil no mês passado. Os vídeos sugeridos têm como base aquilo que cada um gosta de ver. Além disso, a empresa modifica constantemente o serviço e, para isso, faz testes com os próprios usuários. "Sempre existem testes A/B em andamento", apontou o executivo. Ou seja, dois grupos de usuários veem o serviço de um jeito diferente, para a empresa descobrir qual deles dá mais resultado.

O Brasil está entre os quatro maiores mercados da empresa fora dos Estados Unidos, ao lado de Canadá, México e Reino Unido. A empresa tem 29 milhões de assinantes nos EUA (mais do que o canal HBO) e 7 milhões no exterior. No trimestre passado, a empresa distribuiu 4 bilhões de horas de programas de televisão e filmes. Nos EUA, a Netflix chega a ser responsável por um terço do tráfego da internet, no horário de pico.

O cliente da Netflix paga um preço único (no Brasil, é R$ 16,90 e, nos Estados Unidos, US$ 8), e pode assistir a toda a programação disponível. Cada assinante pode ver dois programas ao mesmo tempo. Numa família, por exemplo, alguém pode assistir à Netflix na TV da sala enquanto outra pessoa assiste também no laptop no quarto. Recentemente, a empresa anunciou o lançamento de um novo pacote, de US$ 12 mensais nos EUA, para que seja possível ver quatro programas simultaneamente. "Essa é uma necessidade de futuro", disse Friedland. "Hoje, só 1% dos assinantes chega ao limite de dois programas simultâneos."

A empresa tem investido cada vez mais em conteúdo exclusivo, como as séries House of Cards e Hemlock Grove. Por tomar decisões baseada em dados, a Netflix tem recebido críticas de que nunca vai investir em um programa realmente novo, porque não teria em que basear sua decisão. "É besteira", afirmou o executivo.

Ele usou House of Cards como exemplo. A série política é estrelada pelo ator Kevin Spacey, produzida pelo diretor David Fincher e é uma adaptação de uma série britânica de mesmo nome. "Sabemos quantas pessoas assistem aos filmes do Spacey, quantas assistem aos filmes do Fincher, quantos veem House of Cards original e quantos gostam de séries políticas, como The West Wing. Com base nessas informações, sabemos se existe público."

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