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''''O poderio americano não está morto, tem flexibilidade''''

Para economista francês, migração do poder dos EUA para a Ásia é uma tendência, mas ainda está longe de se confirmar

Nathan Gardels, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, em janeiro, o economista francês Jacques Attali, ex-assessor do presidente François Mitterrand e primeiro presidente do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, falou sobre a turbulência global. Em seu mais recente livro, A Brief History of the Future (Uma Breve História do Futuro), teoriza sobre a existência de núcleos econômicos que migram de um lugar para outro do mundo ao longo do tempo.A atual crise financeira que tem levado fundos soberanos, particularmente da China e de Cingapura, a comprar participações acionárias em instituições bancárias importantes dos Estados Unidos indica um deslocamento do poder americano para a Ásia? Existem longos ciclos históricos nos quais o centro de gravidade passa de um cerne para outro. Um cerne, ou núcleo, de ordem mercantil se forma sempre que uma classe criativa domina uma inovação, produzindo enorme riqueza. Entretanto, mesmo que os Estados Unidos sejam a única superpotência dominante, ao mesmo tempo caíram numa dívida maciça, em déficits comerciais e numa moeda fraca. O deslocamento na direção da Ásia é uma tendência de longa data, mas não vai acontecer de um dia para o outro. O poderio americano não está morto. Tem uma tremenda capacidade de recuperação. Tem juventude, criatividade, tecnologia e flexibilidade. Se conseguir encontrar um outro FDR (Franklin Delano Roosevelt) para consertar o sistema financeiro, poderá permanecer no cerne da economia global e líder pelos próximos 20 anos.Qual a importância dos fundos soberanos, que injetam no combalido sistema financeiro americano dinheiro que ganharam vendendo para o próprio país? Primeiro, a ironia é que, quando um governo americano ou europeu compra participações numa empresa dentro de suas fronteiras, todo mundo acusa de "nacionalização". Quando fundos de outro país compram participação além das fronteiras, são "salvadores". Segundo, os governos soberanos por trás desses fundos não vão distribuir dinheiro por um longo tempo. Na China, por exemplo, haverá pressão para voltar seus investimentos para dentro do país, para atender a seu próprio povo. Obviamente que logo ficará evidente que é melhor investir em um novo aeroporto do que ver o dinheiro se perder nos mercados de ações em colapso do Ocidente. O próximo passo, logicamente, é o chamado fenômeno de "desacoplamento". Então, o problema do Ocidente não será o excesso de investimentos vindos dos fundos soberanos, mas sua insuficiência.

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