O preço da precariedade

Analistas começaram a avaliar os prejuízos que uma inundação como a de terça-feira produziu na economia

Celso Ming,

09 de dezembro de 2009 | 10h27

É o trabalhador que não chegou ao serviço, a mercadoria que não foi entregue como contratado, a peça que ficou enroscada por aí, o programa just in time que não pôde ser cumprido, a linha de montagem que teve de ser interrompida - enfim, é a produção e a distribuição que não conseguiram seguir seu curso. E há os voos cancelados porque a tripulação não chegou ou o encanador que não trabalhou porque ficou ilhado na cidade.

 

Ponha-se ainda nesse passivo o sofrimento, as novas despesas da família com a perda do carro que ficou sob as águas e com o sofá que não presta mais. Difícil esquecer, também, do aumento das despesas públicas com o estrago a consertar e da futura distribuição da conta para o contribuinte.

 

Não dá para falar de prejuízos apenas em São Paulo. A produção do Brasil é transportada em carroceria de caminhão e, pelas marginais paulistanas, passa praticamente todo o tráfego de veículos entre o Norte e o Sul do País.

 

Tudo isso é mais uma demonstração da precariedade da infraestrutura brasileira e de como a escalada dos custos de produção derruba a competitividade do produto nacional.

 

Mas tudo isso tem outra leitura. Se, mal ou bem, a economia brasileira é o que é, imagine-se o que não será quando o sistema produtivo deixar de ser tão dependente das tremendas limitações da logística e quando todo o sistema for mais previsível. Quando isso acontecer, as empresas trabalharão com menos estoques de matérias-primas e de produtos acabados, dispensarão as máquinas hoje destinadas a entrar em produção para tirar os atrasos, além do capital fixo e do capital de giro para sustentar o esquema adicional para garantir a produção e a distribuição.

 

Uma parcela ínfima desse custo adicional hoje pago pelo setor produtivo e pelo consumidor será mais bem avaliada quando o Rodoanel de São Paulo estiver pronto. E tem mais a fazer na área portuária, nas estradas, no armazenamento, nas comunicações e na informática.

 

Mas, por aqui, as prioridades são outras. Quase toda a arrecadação do setor público vai para despesas de custeio. Neste ano, aumentaram 17% (até outubro), mesmo levando em conta uma queda de 7% na arrecadação (também até outubro).

 

Não vai aí nenhum juízo de valor sobre o que está certo ou o que está errado. O futuro do País depende das escolhas feitas no passado que continuam ou não agora. Isto posto, seguem-se as consequências que se veem, inclusive em tempo de chuva grossa, como a de ontem, em São Paulo.

 

Confira

 

Fica para depois - O diretor de Produção da Petrobrás, Guilherme Estrella, anunciou ontem que a segunda sonda que fará os levantamentos da jazida de petróleo do pré-sal pertencente à União só vai ser alocada no segundo semestre de 2010.

 

Isso significa que os dados definitivos que permitirão uma avaliação segura do petróleo da União destinado à cessão onerosa que fará parte da capitalização da empresa só ficará disponível no final de 2010. No entanto, a Petrobrás programou o aumento de capital para o primeiro semestre do ano.

 

O especialista em Petróleo do Credit Suisse, Emerson Leite, acredita que a Petrobrás não vai esperar os dados do segundo poço para só então avaliar o petróleo lá existente. Vai avaliá-lo com os dados provisórios para fazer os acertos depois com os definitivos. Se for isso, aumentará a incerteza sobre o valor desse petróleo, o que será transferido para o preço de subscrição a ser ajustado até um ano depois.

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