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Guy Perelmuter
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O Prêmio X

Uma competição espacial

Guy Perelmuter *, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2019 | 03h00

Em 1919, o empresário francês do setor hoteleiro Raymond Orteig (1870-1939) ofereceu um prêmio de US$ 25 mil (atualmente, cerca de US$ 370 mil ou aproximadamente R$ 1,4 milhão) para a primeira pessoa que conseguisse realizar o voo Nova Iorque-Paris (ou Paris-Nova Iorque) sem escalas. Isso seria bom para seus negócios (seu hotel ficava em Nova Iorque, cidade que escolheu para morar) e ao mesmo tempo permitiria que ele se mantivesse próximo ao setor da aviação, que o fascinava. O prêmio foi ganho em 1927 por Charles Lindbergh (1902-1974), um piloto do correio dos Estados Unidos, que completou o percurso de 5.800 km em cerca de 33 horas a bordo do célebre monomotor Spirit of St. Louis.

Tecnicamente, essa não foi a primeira travessia do Atlântico: em 1919, o então Secretário de Estado para Assuntos Aéreos do Reino Unido, Winston Churchill (1874-1965), entregou para os aviadores John Alcock (1892-1919) e Arthur Brown (1886-1948), um inglês e um escocês respectivamente, o prêmio de dez mil libras (hoje, cerca de meio milhão de libras ou R$ 2,3 milhões) oferecido pelo jornal Daily Mail para quem conseguisse realizar esse feito. Partindo da cidade de St. John, na província canadense de Terra Nova, e pousando em Clifden, na Irlanda, completaram o percurso de pouco mais de três mil quilômetros em aproximadamente dezesseis horas.

Quase oitenta anos depois de sua criação, o Prêmio Orteig serviu de inspiração para outra competição: a XPrize, entidade sem fins lucrativos fundada em 1995 pelo empreendedor greco-americano Peter Diamandis (1961-) que pretende viabilizar "avanços radicais para o benefício da humanidade". Ao longo dos mais de vinte anos de existência, os temas dos concursos passaram pelo desenvolvimento de carros com excepcional eficiência (em termos de quilômetros por litro), criação de novas tecnologias para endereçar vazamentos de óleo nos oceanos e a utilização de sensores para monitoramento da saúde.

Mas a primeira e provavelmente mais famosa competição da XPrize tratou de exploração espacial: o desafio, anunciado em 1996, era construir uma espaçonave privada capaz de transportar três pessoas e voar duas vezes em duas semanas. A SpaceShipOne - nome do veículo construído pela Mojave Aerospace Ventures, do cofundador da Microsoft e bilionário Paul Allen (1953-2018) e do engenheiro aeroespacial Burt Rutan (1943-) - ultrapassou a linha de Kármán em 29 de setembro e em 4 de outubro de 2004. A Mojave Aerospace Ventures ganhou o prêmio de dez milhões de dólares (sendo que a SpaceShipOne consumiu cerca de vinte e cinco milhões de dólares). Os recursos para pagar este prêmio vieram da família iraniana-americana Ansari, garantindo assim que todo o processo transcorresse sem qualquer subsídio governamental.

Em 2007, foi a vez da Google lançar um desafio: o Google Lunar XPrize. O objetivo era lançar, aterrissar e operar com sucesso um veículo na superfície lunar, premiando a equipe vencedora com vinte milhões de dólares. Em janeiro de 2018 o prêmio expirou sem que nenhuma equipe atingisse o objetivo.

O fato é que a criação do XPrize, que recebeu muita atenção da mídia e inspirou empreendedores, empresários e inventores, viabilizou o início de uma nova era da exploração espacial, financiada por bilionários como Allen, Richard Branson (que licenciou a tecnologia da SpaceShipOne e criou a Virgin Galactic), Jeff Bezos (Blue Origin) e Elon Musk (SpaceX). A exploração do espaço por empresas privadas impacta de forma significativa diversos segmentos de negócios aqui na Terra - seja através de satélites com múltiplos objetivos, mineração de asteroides, espaçonaves para o transporte de carga, sistemas de defesa, turismo espacial ou voos comerciais. Esse será o tema de nossa próxima coluna. Até lá.

*Fundador da GRIDS Capital, é Engenheiro de Computação e Mestre em Inteligência Artificial

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