Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

O presidente está comprometido com a responsabilidade fiscal, diz Guedes

Ministro ressaltou que Bolsonaro sabe da importância de realizar investimentos apenas dentro das regras fiscais; ele também destacou a necessidade das reformas na retomada da economia

Anne Warth e Eduardo Laguna, especial para o Estadão/Broadcast, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2020 | 20h13

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O ministro da Economia, Paulo Guedes, destacou nesta sexta-feira, 28, a importância das reformas e da responsabilidade fiscal para a retomada do crescimento da economia do País. Ele também procurou transmitir a mensagem de que sua agenda econômica conta com o apoio do presidente Jair Bolsonaro.

"Estamos lutando para manter um horizonte de previsibilidade. Está claro que se os gastos foram elevados num ano, a responsabilidade fiscal exige que, passada a crise da saúde, temos que voltar a gastos normais", disse Guedes ao participar de conferência virtual do Instituto Aço Brasil.  

O ministro sustentou que, ao mesmo tempo em que sabe da necessidade de levar adiante obras necessárias, o presidente é comprometido com a austeridade fiscal. Ele afirmou ainda que "são normais" os embates entre ministros que querem fazer mais gastos e ministros fiscalistas, mas, no fim, as decisões de Bolsonaro têm sido no sentido da responsabilidade com as contas públicas e de só realizar investimentos dentro das regras fiscais.   

Na ocasião, Paulo Guedes disse também que a regra do teto de gastos será mantida enquanto for necessário, mas que não vê essa dispensa "por enquanto". "No ano que vem, vamos ter tudo com mais intensidade", afirmou o titular da Economia.

Durante sua fala, Guedes defendeu a desvinculação do orçamento, ao se queixar que o governo é pressionado entre um teto e um piso que não para de subir, numa referência a investimentos mínimos obrigatórios. Ele cobrou um pacto federativo que devolva o controle financeiro do País e reafirmou a ideia de retomar a agenda de privatizações. Nesse contexto, citou Eletrobrás, Correios, PPSA e Docas, após repetir que sua equipe trabalha para anunciar três ou quatro grandes privatizações.

Reformas

Guedes afirmou que o Brasil vai retomar o caminho das reformas, mas reconheceu que quem dá o ritmo é o Legislativo. "A essência da política é decidir para onde vão os recursos públicos", disse, sem deixar de observar que o presidente "dá todo apoio às reformas". Ele também acrescentou que "o Congresso é reformista, avança conosco. Aprovamos o marco do saneamento e agora vem gás natural", acrescentou.

Segundo ele, a proposta do novo marco do gás natural deve ser votada na próxima semana pela Câmara. Guedes citou ainda os marcos do setor elétrico e da cabotagem entre os que devem ser aprovados em breve pelo Legislativo. "O horizonte de investimentos será destravado", afirmou.

Guedes disse ainda que a reforma tributária já está na comissão mista do Congresso e aproveitou para rebater os ataques à sua ideia de criar um imposto sobre transações eletrônicas, que o governo tenta desvincular da antiga CPMF. "A ideia de que queremos aumentar imposto, criar imposto novo para políticas populistas é equívoco, é fake news, é guerra política", comentou, ao frisar que o propósito do governo é ampliar a base tributária para desonerar a folha de pagamento.    

Sobre a reforma administrativa, ele afirmou que Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estão próximos de um acordo. "O presidente disse que estamos praticamente prontos para avançar", afirmou.

Recuperação pós-pandemia

Sobre os impactos da covid-19 na economia, o ministro disse que o País está "furando a primeira onda, atravessando para o lado de lá". Ele também amenizou o cenário da pandemia. "Praticamente acabou a conversa de falta de respiradores e máscaras", afirmou.

Nesse cenário, Guedes disse que o Brasil está em uma trajetória de recuperação econômica em 'V', "como esperávamos". Para o ministro, o País conseguiu manter os "sinais vitais" da economia durante o auge da pandemia e agora eles estão sendo "reativados". Ele avaliou ainda que o Brasil não sofreu efeitos tão fortes de um choque externo, como estimava o Fundo Monetário Internacional (FMI).

"O agronegócio foi decisivo, mantiveram as exportações e as prateleiras cheias", disse, ao ressaltar que as vendas caíram para Argentina, Estados Unidos e Europa, mas aumentaram para Ásia e China

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