O que a política de meta de inflação exige do governo

A elevação da taxa Selic para 11,25%, na reunião do Comitê de Política Monetária(Copom), não constituiu nenhuma surpresa: a publicação do Relatório de Inflação havia previsto essa decisão e o mercado acertou até na porcentagem do aumento.

, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2011 | 00h00

A única novidade foi o claro anúncio, no comunicado final, de que se estava abrindo um novo ciclo de elevação da Selic. A decisão tomada indica claramente que o novo presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, está seguindo a política do seu antecessor, e que a presidente Dilma Rousseff não questionou a independência do Instituto de Emissão, existindo apenas uma incerteza diante da afirmação de que a decisão do Copom fora combinada com ela.

O Brasil, no entanto, não escapa das consequências negativas de uma elevação da taxa básica de juros nem das críticas que as classes produtoras apresentam diante dessa política. Os efeitos colaterais de um aumento da taxa básica de juros são muito bem conhecidos. Traduzem-se por uma elevação do custo do dinheiro - e, consequentemente, da inflação - no momento em que se procura reduzir as pressões inflacionárias. O déficit público aumenta, com o aumento da taxa de juros que se paga sobre os títulos da dívida pública, quando o que se busca é reduzir os gastos públicos para diminuir a necessidade de aumentar a dívida mobiliária do governo em relação ao PIB. A elevação da Selic tem ainda o efeito de aumentar a entrada de capitais estrangeiros especulativos, contribuindo para fortalecer a valorização do real ante o dólar, o que traz maiores dificuldades para exportar e um estímulo para aumentar as importações, colocando o problema da desindustrialização do País no radar da política de desenvolvimento.

Os países em que o BC adotou a política de meta de inflação, como a Suíça, a Alemanha e os Estados Unidos, enfrentaram o mesmo questionamento. Houve um dos grandes debates nos Estados Unidos quando o país deixou a política de controlar apenas a massa monetária, passando para a de fixação de meta de inflação.

O único argumento a favor é que esta última parece, até agora, a mais adaptada ao controle de inflação. Mas é preciso entender que ela exige uma corresponsabilidade do governo para ser plenamente eficaz. Em resumo: exige uma grande austeridade no controle das contas públicas, para reduzir ao mínimo as necessidades de financiamento do déficit, a exportação deve ter estímulos do governo e devem ser evitados estímulos ao consumo.

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