Maira Vieira / Estadão
Deflação representa queda nos preços e pode incentivar o consumo imediato, mas a longo prazo acaba agravando a recessão econômica já existente Maira Vieira / Estadão

O que é deflação e por que a queda de preços pode não ser bom sinal

A queda de preços pode representar desaceleração da economia; especialistas divergem sobre causas do fenômeno e alertam para riscos a longo prazo

Ana Luiza de Carvalho, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2019 | 17h12

O mês de setembro registrou deflação de 0,04%, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta quarta-feira, 9, pelo  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi o menor para o mês de setembro desde 1998, quando o IPCA foi de -0,22%.

 

 

Embora represente uma queda momentânea nos preços, a deflação pode ser um sinal de alerta para problemas estruturais da economia e também pode se tornar um fator para a desaceleração do consumo já existente.

Entenda o que é deflação e por que o fenômeno é perigoso se continuar a se repetir por um prazo mais longo:   

O que é deflação e quais as suas causas

De acordo com o mestre em Economia e professor do Insper Otto Nogami, a deflação ocorre quando há uma queda generalizada de preços e se trata de uma ‘tendência recessiva’. O fenômeno não deve ser confundido com a queda da inflação: enquanto em cenários de menor inflação o índice sobe em velocidade mais lenta, durante a deflação a variação é negativa - ou seja, os preços caem de fato. 

A inflação no mês de abril de 2019, por exemplo, foi de 0,57%. Em maio, o índice despencou para 0,13%. Isso não significa que houve queda nos preços: eles apenas subiram em ritmo 0,44 ponto porcentual mais lento. Não é o mesmo cenário observado em setembro, quando o IPCA ficou 0,04% abaixo de zero, indicando retração.

O momento em que é possível cravar uma situação de deflação, porém, gera polêmica entre os especialistas. A situação deste mês de setembro, por exemplo, é um ponto de impasse. Para o economista Alexandre Amorim, sócio da consultoria Par Mais, o recorte temporal é muito curto para determinar uma retração. “Precisa de um índice bem mais consistente, a inflação está baixa, mas nos últimos 12 meses está variando positivamente entre 3% e 4%”, observa.

Amorim defende que, com o avanço da tecnologia e da produtividade, a tendência é de queda nos preços no cenário internacional. “No mundo inteiro os patamares estão mais baixos, o fenômeno não é um privilégio nosso”, afirma. Para o economista, a queda da inflação deve ser sintoma de alerta, mas ainda não é possível traçar um panorama de recessão a nível mundial ou mesmo no Brasil.

Ele sugere ainda que o índice não seja analisado de forma isolada. De acordo com Amorim, a perspectiva de crescimento da economia brasileira deve se manter nos próximos meses. “O crescimento está acontecendo em ritmo lento, mas está acontecendo. O desemprego está caindo e a massa salarial aumentando, são números positivos. Temos bons níveis de consumo, há expectativa de grande volume de compras no Dia das Crianças”, observa.

Essa também é a visão de André Braz, coordenador do IPC do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre). Para ele, o resultado do mês de setembro não significa necessariamente que esteja em curso uma mudança no mercado brasileiro. Braz defende que o índice de -0,04% representa uma retração pouco robusta. "O resultado geral do índice é muito próximo de zero, que indica mais estabilidade do que um número exatamente negativo. Então, não é generalizado, não é preocupante", diz.

O economista explica que o índice foi puxado principalmente pelo setor de alimentação e que a deflação é caracterizada por uma queda expressiva em todos os setores que compõem a cesta de produtos do IPCA. "Por isso usamos núcleos de inflação e várias medidas, porque da mesma forma que a alimentação pode ter influenciado um número negativo, pode influenciar um número positivo. Não indica uma necessidade de mudança na política econômica" , afirma Braz.

Já para Otto Nogami, o resultado reflete uma tendência de retração brasileira que vem sendo notada há meses pelos economistas. O fato de o registro ter ocorrido justamente no mês de setembro, para o especialista, é um indicativo ruim. "É um dado que chama atenção porque naturalmente é uma época em que os preços voltam a subir pela proximidade com o final de ano e o aumento da demanda. Se eventualmente os preços não voltarem a subir nas próximas semanas, realmente denota uma situação extremamente preocupante", afirma.

 

Por que a deflação pode não ser boa

Embora represente um incentivo ao consumo a curtíssimo prazo, a deflação não deve ser vista como um sinal positivo na economia. De acordo com Otto Nogami, o fenômeno é um sintoma de que o mercado enfrenta um período difícil. “Assim como a inflação não é boa, a deflação também denota uma anomalia”, afirma. Nogami explica que, de forma pontual, a deflação pode significar que a população está com um nível de confiança baixo na economia e, por isso, prefere poupar dinheiro do que consumir. 

Outra possibilidade é que o poder de compra dos consumidores tenha caído tanto, seja por perdas salariais ou desemprego, que eles não conseguem mais arcar com os custos de produtos que antes eram rotineiros. Para o professor, esse fator pode explicar a queda dos gastos com alimentação.

“É uma mudança de hábitos do consumidor. A alimentação fora de casa teve nos últimos meses uma queda expressiva, essas pessoas estão dando preferência a levar marmitas ou alguma alimentação de valor agregado mais baixo, o que é um grande problema”, afirma Nogami. Embora os gastos com alimentação fora de casa tenham crescido entre 2017 e 2018, de acordo com dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, o recorte é diferente para os mais pobres. As famílias com rendimentos mais altos gastaram 15,3 vezes mais do que as famílias mais pobres com alimentação fora de casa.

Além disso, quando a deflação é analisada a médio e longo prazos, ela pode trocar de papel e deixar de ser sintoma para ser fator da recessão econômica. Alexandre Amorim explica que, em meio à queda de preços, a economia pode acabar congelando. "O grande problema de uma deflação é as pessoas optarem por consumir mais para frente porque sabem que os preços vão estar mais baixos, o que diminui a demanda e faz os preços caírem mais ainda. Isso acaba gerando mais um ciclo vicioso", explica.

Com a desaceleração do consumo, Amorim ressalta que os efeitos podem ser devastadores: com menor perspectiva de lucro, as empresas cortam salários e deixam de contratar, agravando o ciclo de recessão e desemprego.

Para os especialistas, o caminho para evitar a recessão é tortuoso mas já é conhecido: retomada dos investimentos públicos para aumentar a confiança na economia. “A política monetária é o único mecanismo para reverter essa situação, e o governo não pode perder o controle dela. É preciso resgatar a confiança do consumidor e do empresário, para que se volte a investir e gerar mais renda”, afirma Otto Nogami.

Essa também é a opinião de Alexandre Amorim, que ressalta a importância do consumo. "O governo tem que estimular crédito e consumo, colocar mais dinheiro no mercado e continuar com a política de juros baixos para manter o dinheiro em circulação", recomenda.

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Setembro tem deflação de 0,04%, no menor resultado para o mês desde 1998

Ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que País tem condição de reduzir ainda mais os juros; principal impacto no IPCA, o índice oficial de inflação do País, foi do grupo alimentação e bebidas, que teve queda de 0,43%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2019 | 09h14
Atualizado 10 de outubro de 2019 | 09h35

RIO - A maior oferta de alimentos e promoções de eletrodomésticos feitas pelo comércio varejista derrubaram os preços na economia em setembro, o que deflagrou revisões para baixo nas projeções para a inflação e aumento nas apostas de cortes mais agressivos na taxa básica de juros, a Selic, hoje em 5,5% ao ano. 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma deflação de 0,04%, o menor resultado para o mês desde 1998, segundo IBGE. O desempenho surpreendeu analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam uma inflação de 0,02% no mês. 

Após o resultado, de 37 instituições consultadas, pelo menos 27 reduziram as expectativas para o IPCA este ano. Para 2019, a mediana ficou em 3,30% – abaixo da taxa de 3,42% registrada pelo último Boletim Focus, do Banco Central. “Como o crescimento permanece fraco e a inflação bem abaixo da meta, aumentam os riscos de que o BC corte a Selic além da nossa previsão de 4,75% para o final do ano”, alertou o Bank of America Merrill Lynch, em relatório. A equipe do UBS Brasil alterou nesta quarta-feira, 9, a previsão. “O cenário de inflação mais baixa nos levou a revisar para baixo a projeção para a Selic no fim de 2019 de 4,75% para 4,5%.”

Em evento em São Paulo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que viu a deflação de forma positiva. “Inflação baixa mostra que o Brasil tem condições de baixar juros”, disse. “O que está acontecendo é que a economia está começando a crescer com inflação baixa.”

A inflação mais baixa neste ano também deve reter o IPCA de 2020, já que os preços indexados, como os dos remédios, por exemplo, sofrerão reajustes menores. “No ano que vem não vai ter aceleração na inflação. Então existe espaço para redução dos juros e reforça nossa aposta de 4,5% ao fim do ciclo de cortes”, afirma Fábio Romão, economista da LCA Consultores. 

Para Alex Agostini, economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, única casa a acertar a projeção para o IPCA de setembro dos 52 consultadas pelo Projeções Broadcast, a deflação de setembro é sintoma de uma economia fraca e deprimida.

“Esse dado confirma que a economia passa por um problema ainda crítico de recuperação econômica, por mais que alguns indicadores em um mês ou outro mostrem uma alta.” 

A taxa acumulada do IPCA em 12 meses desceu a 2,89%, próximo ao piso (2,75%) da meta de 4,25% perseguida pelo BC. 

Na avaliação de Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, o IPCA está em patamar confortável, sem sinais de pressão de demanda, o que inibe eventuais repasses de aumentos de custos. “O setor de serviços, por exemplo, tem ficado em patamar baixo, porque ele responde muito à questão de demanda. A gente nota a economia ainda em recuperação, de forma lenta e gradual, com retomada do emprego.”

Itens

Os preços dos alimentos foram os maiores responsáveis pela deflação de setembro. Os adquiridos em supermercados, para consumo no domicílio, sustentam quedas de preços há cinco meses. Em setembro, o IBGE argumentou que havia oferta elevada, sobretudo, de tubérculos e legumes. O tomate ficou 16,17% mais barato, contribuindo para reduzir a inflação em 0,04 ponto porcentual. “Nos alimentos, você tem um cenário climático bem favorável internamente e mesmo lá fora. A safra está ajudando. E a alimentação fora do domicílio tem o componente serviço, que tem tido pouco espaço para reajuste”, explicou Fábio Romão, da LCA.

A campanha Semana do Brasil, iniciativa para emplacar no calendário varejista um novo período de liquidações, como a Black Friday, também motivou uma redução de preços de bens duráveis no comércio em setembro, especialmente de eletrodomésticos e equipamentos (-2,26%) e aparelhos de TV, som e informática (-0,90%). 

Para outubro, o IPCA deve ser aliviado pela mudança na bandeira tarifária sobre a tarifa de energia elétrica, que passa de vermelha patamar 1 para amarela: a cobrança extra sobre as contas de luz diminuem de R$ 4,00 para R$ 3,50 a cada 100 kW/h consumidos. Por outro lado, deve haver pressão do reajuste na gasolina nas refinarias anunciado pela Petrobrás ao fim de setembro. /COLABOROU CÍCERO COTRIM 

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Despesa das famílias com transporte supera gastos com alimentação

Levantamento do IBGE sobre orçamento doméstico mostra que nos últimos dez anos aumentaram os gastos com habitação, saúde e educação

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2019 | 10h00

RIO - As famílias brasileiras gastaram, em média, R$ 4.649,03 por mês em 2018, segundo os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As despesas de consumo representaram 81% desse valor, ou seja, o equivalente a R$ 3.764,51 mensais. Na última década, aumentaram os gastos com habitação, saúde e educação. A fatia de recursos destinada a transporte e alimentação encolheu.

As despesas com habitação consumiram a maior proporção da cesta de consumo das famílias, 36,6%, ainda mais do que absorviam de recursos na POF anterior, referente a 2008-2009, quando essa participação era de 35,9%. Também aumentou a destinação de recursos para Assistência à saúde (de uma fatia de 7,2% para 8,0%) e Educação (de 3,0% para 4,7%).

Embora ambos tenham diminuído, os gastos das famílias com transporte superaram os de alimentação pela primeira vez nas pesquisas de orçamentos familiares. A fatia de recursos destinada ao transporte passou de 19,6% em 2008-2009 para 18,1% em 2017-2018. A porcentagem destinada à alimentação saiu de 19,8% para 17,5% no período.

“Na medida em que a renda vai aumentando, a despesa com alimentação vai diminuindo a participação. Se você ganhar o dobro vai gastar o dobro com alimentação? Não. Vai gastar em outras coisas", exemplificou Leonardo Vieira, analista da POF no IBGE.

Para André Martins, gerente da POF no IBGE, as famílias também podem ter substituído itens de maior valor por outros mais baratos, diminuindo esse tipo de despesa.

"Na alimentação você consegue fazer substituição, trocar um alimente por outro. No transporte, não", opinou Martins.

Novo cálculo do IPCA

As mudanças nos hábitos de consumo das famílias brasileiras captadas pela POF servirão de parâmetro para recalcular o peso dos itens pesquisados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial no País. 

O IBGE divulgará na próxima sexta-feira, dia 11, a nota técnica com as futuras mudanças no cálculo do IPCA. A inflação passará a ser calculada sob a nova metodologia apenas em janeiro do ano que vem, com divulgação prevista para o início de fevereiro.

“Para ponderações para o IPCA, (os pesquisadores) usam um subconjunto de dados, só os gastos monetários, e só de um grupo determinado de faixa de rendimento”, ressaltou André Martins.

O valor médio das despesas de consumo realizadas pelas famílias que moram em área rural foi de R$ 2.158,83 em 2017-2018, o equivalente a 53,7% do gasto médio das famílias habitantes de regiões urbanas, de R$ 4.020,98.

A proporção de gastos com alimentação foi maior entre a população rural (23,8%) do que entre a urbana (16,9%). O mesmo ocorreu também com as despesas de transporte, responsáveis por 20% do total do consumo na em lares da região rural contra uma fatia de 17,9% na área urbana. Os gastos com educação também foram mais expressivos em residências urbanas (4,9%) do que nas rurais (2,3%).

Os gastos com habitação abocanharam uma fatia maior das despesas das famílias urbanas (37,1%) do que das que moram na zona rural (30,9%).

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Focus reduz expectativa de inflação e mantém previsão de Selic a 5%

Relatório divulgado pelo BC aponta que mercado espera IPCA de 3,44% para este ano

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2019 | 09h00

BRASÍLIA - Os economistas do mercado financeiro alteraram levemente a previsão para o IPCA - o índice oficial de inflação - em 2019 e 2020. O Relatório de Mercado Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira, 23, pelo Banco Central, mostra que a mediana para o IPCA este ano passou de alta de 3,45% para elevação de 3,44%. Há um mês, estava em 3,65%. A projeção para o índice em 2020 seguiu em 3,80%. Quatro semanas atrás, estava em 3,85%. 

 

Além disso, na esteira da decisão do Banco Central sobre juros, na semana passada, os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica da economia) no fim de 2019 e 2020. O Relatório de Mercado Focus trouxe que a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 5% ao ano.

O Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2021, que seguiu em 3,75%. No caso de 2022, a expectativa permaneceu em 3,5%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,75% e 3,50%, respectivamente.

A projeção dos economistas para a inflação está abaixo do centro da meta de 2019, de 4,25%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,75% a 5,75%). Para 2020, a meta é de 4%, com margem de 1,5 ponto (de 2,5% a 5,5%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). Já a meta de 2022 é de 3,5%, com margem de 1,5 ponto (de 2% a 5%).

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC atualizou suas projeções mais recentes para a inflação. Considerando o cenário de mercado, a projeção para o IPCA em 2019 está em 3,3%. No caso de 2020, está em 3,6%.

Em 6 de setembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA avançou 0,11% em agosto. No ano, a taxa acumulada é de 2,54% e, em 12 meses até agosto, de 3,43%.

No Focus, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2019 seguiu em 3,4%. Para 2020, a estimativa do Top 5 seguiu em 3,73%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 3,51% e 3,9%, nesta ordem.

No caso de 2021, a mediana do IPCA no Top 5 seguiu em 3,8%, ante 3,75% de um mês atrás. A projeção para 2022 no Top 5 permaneceu em 3,75%, ante 3,6% de quatro semanas antes. 

PIB 

A expectativa de crescimento da economia em 2019 seguiu em 0,87%. Há quatro semanas, a estimativa de alta era de 0,8%.

Para 2020, o mercado financeiro manteve a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB) em alta de 2%. Quatro semanas atrás, estava em 2,1%. No fim de agosto, o IBGE informou que o PIB do segundo trimestre de 2019 subiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre.

No fim de junho, o BC havia atualizado, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2019, de alta de 2% para elevação de 0,8%. Essa projeção será novamente atualizada na próxima quinta-feira, também pelo RTI.

A projeção para a produção industrial de 2019 passou de baixa de 0,47% para retração de 0,53%. Há um mês, estava em alta de 0,08%. No caso de 2020, a estimativa de crescimento da produção industrial foi de 2,48% para 2,29%, ante 2,5% de quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2019 foi de 56,10% para 56,05%. Há um mês, estava em 56,39%. Para 2020, a expectativa passou de 58,3% para 58%, ante 58,5% de um mês atrás. 

Selic

O  Focus apontou ainda que a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 5%. Há um mês, estava no mesmo patamar. Já a projeção para a Selic no fim de 2020 permaneceu em 5% ao ano, ante 5,25% de quatro semanas atrás.

No caso de 2021, a projeção foi de 7% para 6,75%, igual a um mês antes. A projeção para a Selic no fim de 2022 permaneceu em 7%, mesmo porcentual de quatro semanas antes.

Na semana passada, o Copom cortou a Selic em 0,5 ponto porcentual, de 6% para 5,5% ao ano. Foi o segundo corte consecutivo da taxa básica. No comunicado sobre a decisão, o BC avaliou que o cenário externo, apesar de incerto, está favorável para países emergentes. Além disso, reconheceu avanços nas reformas econômicas e divulgou projeções comportadas de inflação para 2019 e 2020. Nesse contexto, a instituição também indicou que pode promover novos cortes na Selic.

No grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a mediana da taxa básica em 2019 foi de 5% para 4,75% ao ano, ante 5% de um mês antes. No caso de 2020, passou de 5% para 4,75% ao ano, ante 5,13% de quatro semanas atrás.

A projeção para o fim de 2021 no Top 5 permaneceu em 6,5%. Há um mês, estava em 7%. Para 2022, a projeção do Top 5 seguiu em 6,5% ao ano, ante 7% de um mês antes. 

Câmbio 

O relatório Focus mostrou alteração no cenário para a moeda norte-americana em 2019. A mediana das expectativas para o câmbio no fim deste ano foi de R$ 3,90 para R$ 3,95, ante R$ 3,80 de um mês atrás.

Para o próximo ano, a projeção para o câmbio permaneceu em R$ 3,90, ante R$ 3,81 de quatro pesquisas atrás. 

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