''O que é válido na queda é válido também na retomada''

Para Fernando Pimentel Puga, chefe de departamento da área de pesquisa econômica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), "o que é válido na hora da queda, também é valido na hora da retomada".Assim, Puga prevê que uma eventual recuperação do comércio internacional também tenha efeitos positivos sobre a produção brasileira que devem ir além do aumento das exportações industriais. Recente estudo realizado por Puga, Marcelo Machado Nascimento e André Albuquerque Sant?Anna, todos do BNDES, mostra que 50% da queda da produção industrial de setembro a março deveu-se aos efeitos diretos e indiretos da redução das exportações brasileiras.Se as exportações voltarem a crescer, acredita Puga, as empresas exportadoras vão consumir mais bens intermediários e bens de capital, criando efeitos indiretos suplementares ao simples aumento das vendas externas de produtos industrializados."Começamos a ver, desde abril, alguns sinais de recuperação no comércio internacional", afirma Nascimento, gerente da área de pesquisa econômica do BNDES e coautor do trabalho. CÂMBIOO economista acrescenta ter lido recentemente relatórios em que se constata uma queda drástica de estoques nos Estados Unidos e na Europa, o que é um bom sinal para países que exportam para esses mercados, como é o caso exatamente do Brasil.Quanto à recente valorização do real frente ao dólar, que poderia atrapalhar uma retomada das exportações industriais, Nascimento diz que o câmbio ainda está num nível bem menos apreciado do que em meados do ano passado - antes da crise econômica estourar -, quando chegou próximo ao nível de R$ 1,50. Nascimento acrescenta também que a queda global da produção industrial e das exportações teve pouca relação com movimentos cambiais e, portanto, a recuperação também não deve ser inibida por esse fator.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.