O que explica a baixa demanda de crédito pelos consumidores

Trata-se do conhecido fenômeno de aversão do consumidor ao crédito muito caro, com vistas à redução do endividamento e do risco de inadimplência

O Estado de S.Paulo

29 de março de 2017 | 03h00

Entre janeiro e fevereiro, a demanda por crédito ao consumidor caiu 4%, segundo a Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Entre os últimos 12 meses até fevereiro de 2017 e os 12 meses anteriores, o recuo foi de 9,5%. Os resultados confirmam outros indicadores recentes da consultoria Serasa Experian, mostrando a redução do número de famílias que demandam empréstimos neste início de ano e distinguindo o crédito financeiro do crédito não financeiro – ou seja, concedido, em primeiro lugar, por estabelecimentos comerciais que dão prazo para os clientes pagarem as compras.

Nos últimos 12 meses, a demanda por crédito financeiro diminuiu 14%, enquanto a demanda por crédito não financeiro caiu 6,7%. Trata-se do conhecido fenômeno de aversão do consumidor ao crédito muito caro, com vistas à redução do endividamento e do risco de inadimplência.

O principal motivo para que as famílias reavaliem a decisão de tomar crédito parece estar na autorização de saque nas contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) administradas pela Caixa Econômica Federal. Caso se confirmem os números citados nos últimos dias (o valor dos saques no FGTS atingiria a casa dos R$ 35 bilhões), tratar-se-á de montante muito expressivo, correspondente a cerca de um terço do total das concessões de crédito às pessoas físicas no período de um mês. Em janeiro, as concessões totais a pessoas físicas foram de R$ 100 bilhões. A redução da demanda de crédito ao consumidor no período de saques do FGTS é provável.

Outro fator é que as pessoas passam a depender menos de crédito quando a inflação recua. Os acordos trabalhistas deste ano já revelam alguma recuperação da renda real, o que significa aumento do poder de compra dos salários, inclusive do salário mínimo.

Nos períodos de juros altos, tendem a crescer as operações informais de crédito, seja entre pessoas físicas, seja entre clientes e fornecedores. O pagamento a prazo do conserto do automóvel ou dos serviços dentários é um dos exemplos de crédito informal.

Os juros terão de cair muito para que consumidores com boa educação financeira voltem a tomar dinheiro emprestado em bancos.

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