José Cruz/Agência Brasil
José Cruz/Agência Brasil

‘O que importa é custo de crédito mais barato’

Para Ilan, nível de concentração bancária no País não é problema; foco é ter juro menor para consumidores

Fabrício de Castro e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2018 | 05h00

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central Ilan Goldfajn afirmou ontem, em entrevista ao Estadão/Broadcast, que o nível de concentração bancária atual não incomoda e lembrou que, na Europa, o número de instituições financeiras atuando é semelhante ao verificado no Brasil. Segundo ele, a função do Banco Central é trabalhar para que o custo do crédito seja menor, independentemente do número de instituições.

A concentração bancária no Brasil, medida pelo IHH (Índice Herfindahl-Hirschman), está muito perto de 1.800 pontos, o que indicaria concentração elevada. O sr. se incomoda com a concentração bancária?

Isso não muda o que tenho que fazer que é, além de tentar reduzir o custo de crédito, incentivar a competição, por meio de fintechs (empresas de tecnologia financeira) e do empoderamento das pequenas e médias instituições.

O que dá para fazer para que o cidadão perceba de fato a competição entre os bancos?

O que importa não é a concentração em si. Não é com isso que estamos preocupados. O que importa é um custo de crédito mais barato para o consumidor, e não se temos quatro ou cinco instituições maiores. Nosso número de bancos é igual ao da Europa. Nos EUA é diferente, porque é mais pulverizado, mas a Inglaterra tem poucos bancos. Temos que nos concentrar no custo de crédito. É preciso que a queda dos juros básicos (Selic) leve, ao longo do tempo, a uma redução do spread bancário (diferença entre o custo de captação dos bancos e o cobrado dos clientes).

Mas se temos menos bancos no Brasil, com uma fatia muito grande do mercado, a competição não fica mais difícil?

O que é importante sempre, em qualquer indústria, é que haja um número suficiente de pequenas e médias empresas que possam competir. E que haja inovações. Há no Brasil várias inovações, vários entrantes neste mercado, que são importantes. Temos centenas de bancos menores e milhares de cooperativas. Acho que essas são as forças que levam à competição.

O juro caiu, mas o consumidor talvez não tenha sentido o barateamento do crédito. É correta a percepção de que o crédito ainda é caro e escasso?

O brasileiro percebeu algumas mudanças. Quem usa o cartão rotativo regular deve ter percebido que o juro caiu de 15% para 10% ao mês. Também percebeu que há a opção de parcelado e que há ofertas, várias inovações e tecnologias. Existem mudanças, mas claro que nós queremos mais. Queremos uma taxa de juro ao consumidor menor, queremos instrumentos cada vez mais disponíveis.

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