Odd Andersen/AFP
Odd Andersen/AFP

O que pode acontecer com a Bayer após condenação bilionária pelo uso de herbicida?

Aposentado norte-americano afirma que desenvolveu a enfermidade em decorrência de sua exposição ao produto Roundup; 11.500 casos semelhantes ainda estão pendentes

Augusto Decker, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2019 | 16h13

Após a Bayer ser condenada nos Estados Unidos a pagar indenização de mais de US$ 80 milhões a um residente da Califórnia que teria desenvolvido câncer por causa da exposição ao herbicida Roundup, analistas fazem projeções para os próximos passos da empresa e dos processos.

O banco de investimentos Bryan Garnier diz que a empresa deveria começar a pensar em acordos. Segundo o banco, aplicando os US$ 80 milhões em cada um dos 11.500 casos semelhantes ainda pendentes, a empresa teria que pagar US$ 920 bilhões. Um acordo seria mais difícil de estimar, mas ficaria na casa dos US$ 15 bilhões com base em casos parecidos no passado.

O grupo Monsanto foi declarado culpado na quarta-feira, 27, de negligência por um júri da Califórnia e condenado a pagar cerca de 81 milhões de dólares a um aposentado que sofre de um câncer. O norte-americano afirma que desenvolveu a enfermidade em decorrência de sua exposição ao herbicida.

A empresa de pesquisa e gestão de investimentos Bernstein diz que a indenização decidida na quarta-feira deve ser reduzida após recurso. Do total, US$ 5 milhões são compensatórios, enquanto o restante é punitivo - a Bernstein diz que esse valor é desproporcionalmente grande, e que um tribunal de instância superior provavelmente reduziria significativamente o elemento punitivo.

Outro lado

Por meio de nota, a Bayer afirma que vai recorrer da condenação nos Estados Unidos. Segue abaixo o posicionamento da empresa:

"Estamos decepcionados com a decisão do júri, mas esta deliberação não altera o peso de mais de quatro décadas de ciência extensiva e as conclusões de órgãos reguladores em todo o mundo que apoiam a segurança de nossos herbicidas à base de glifosato e que eles não são carcinogênicos. A Bayer apelará da decisão.

Este julgamento não tem impacto em casos futuros porque cada caso tem suas próprias circunstâncias factuais e legais. O júri neste caso deliberou por mais de quatro dias antes de chegar a uma conclusão, uma indicação de que, muito provavelmente, estava dividido sobre a evidência científica.

Nos solidarizamos com o Sr. Hardeman e sua família.

A Bayer apoia esses produtos e irá defendê-los com vigor. Os produtos Roundup™ e seu ingrediente ativo, o glifosato, vêm sendo usados com segurança e sucesso há mais de quatro décadas em todo o mundo e são uma ferramenta valiosa para ajudar os agricultores a praticar agricultura sustentável, reduzindo a aragem do solo, a erosão e as emissões de carbono. Autoridades regulatórias em todo o mundo consideram os herbicidas à base de glifosato seguros quando usados de acordo com as instruções. Um extenso conjunto de pesquisas sobre o glifosato, incluindo mais de 800 estudos exigidos pela EPA (Agência de Proteção Ambiental nos Estados Unidos), por agências europeias e outros órgãos reguladores, confirma que esses produtos são seguros quando usados conforme as instruções.

Particularmente, o maior e mais recente estudo epidemiológico - o estudo independente de 2018 apoiado pelo Instituto Nacional do Câncer (nos Estados Unidos) - que acompanhou mais de 50.000 aplicadores de defensivos por mais de 20 anos não encontrou associação entre os herbicidas à base de glifosato e o câncer. Além disso, em 2017 a EPA (Agência de Proteção Ambiental nos Estados Unidos) examinou mais de 100 estudos que a agência considerou relevantes e concluiu que “é improvável que o glifosato seja carcinogênico para humanos”, sua classificação mais favorável. Como a Health Canadá destacou em um comunicado recente, “nenhuma autoridade reguladora de pesticidas no mundo atualmente considera o glifosato como um produto que traga risco de câncer para humanos nos níveis em que humanos são expostos atualmente”."

/COM DOW JONES NEWSWIRES

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