O que se pode aprender fora do escritório

Executivos contam o que colocam nos seus "kits básicos" para se manterem atualizados e adquirirem conhecimento útil ao trabalho

EDILAINE FELIX, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2013 | 02h08

O diretor de risco do Itaú Unibanco, Gabriel Moura, de 37 anos, não acredita em uma fórmula de sucesso para alcançar um cargo de liderança antes dos 40 anos. Para ele, o profissional deve estar preocupado com seu desenvolvimento e em constante aprendizado. Mesmo fora do ambiente do trabalho.

Segundo a consultora Alessandra Zambroni, da DMRH, o executivo precisa ter um repertório diversificado que amplie sua visão geral sobre diferentes assuntos. "A leitura, por exemplo, nos coloca em contato com uma nova linguagem e um novo mundo." Ela argumenta que, hoje, os profissionais são multifuncionais e precisam atuar além do conhecimento técnico para se relacionar com o outro.

Por isso, alega, é importante ter um estilo de vestir, uma bibliografia ou um guru. Ou mesmo pensar em fazer um curso, assistir a um filme. Segundo Alessandra, tudo isso "amplia o olhar humano": como a pessoa pode passar a ver o mundo e aprender a se articular em diferentes públicos.

De acordo com ela, 70% do desenvolvimento do profissional acontece por meio da vivência com o outro. "São os conflitos do ser humano que estão em jogo. Por isso, é importante estar sensível para os valores da vida, para receber o novo."

Então, nada melhor do que o executivo ter à mão uma espécie de kit básico para se manter constantemente atualizado. Algo que funcione como bússola indicando a direção para horizontes mais vastos.

Moura, por exemplo, gosta dos clássicos da literatura. E aponta "Hamlet", de Willian Shakespeare, e "Dom Quixote", de Cervantes, como seus livros de cabeceira. "O que me atrai nesses dois livros é a questão da dualidade humana, reconhecer a missão do ser humano, o que pode ser repensado para a vivência profissional."

Quando o assunto é filme, o seu preferido é o clássico "Blade Runner", de Ridley Scott, de 1982. Trata-se da história, passada em 2019, de um policial que 'caça' androides rebeldes que são absolutamente iguais aos seres humanos e que querem encontrar o seu criador numa Los Angeles caótica. Moura conta que o apelo visual da obra e a "humanização" da tecnologia mostrados pela obra o atraem profundamente.

O assunto acaba derivando para aparelhos e equipamentos, e ele revela um item fundamental do seu kit: "O iPad é a ferramenta tecnológica cada vez mais integrada ao meu dia a dia, incorporei como um relógio". E do mundo da tecnologia vem seu ídolo: "Steve Jobs, pela sua simplicidade e perfeccionismo". Moura, no entanto, afirma que não tem alguém que considere um guru.

Saindo do mundo das máquinas e da alta tecnologia, o diretor do banco revela que a gastronomia é sua grande paixão. "Eu gosto tanto que estudei gastronomia. A comida exercita outros sentidos. O executivo é visual e auditivo, e com a gastronomia eu ganho em outras capacidades", afirma.

Formado em administração de empresas, com mestrado pelo Insper e MBA na renomada Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, o diretor do Itaú defende que "uma experiência acadêmica fora do Brasil coloca o profissional em situações novas."

Reconhecendo que todo jovem executivo deve ter como desafio construir o futuro da empresa, o diretor de vendas da Simpress, Giancarlo Ghirotti, de 34 anos, aposta nos livros de gestão e de ficção para extrair informações relevantes para o cotidiano. Ele cita como livros de cabeceira: "Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes", do consultor Stephen R. Covey, e "O livro de ouro da liderança", de John C. Maxwell.

Para manter-se informado, usa ferramentas do Google e o Flipboard, "Nele consigo criar minhas revistas digitais para ler a qualquer momento." Cursos também devem fazer parte do kit de um jovem líder, afirma Ghirotti. Ele sugere a Integração Escola de Negócios, que tem programas rápidos sobre mercado e carreira.

Em relação a roupas, Ghirotti discorda daqueles que acham que terno e gravata está fora de moda. "Quanto mais jovem o executivo, mais cuidado ele deve ter com sua imagem. No dia a dia, para criar um ar mais moderno, em vez de deixar a gravata de lado, eu gosto de usar gravatas do tipo slim."

Vestir-se certamente é uma das grandes preocupações da gerente de soluções e pré-vendas da SAP Brasil, Greyce Grois. "É preciso estar confortável e sem perder a feminilidade. Mas sempre com uma bolsa que caiba o iPad e relógio e anéis."

Greyce é uma admiradora dos filmes de "James Bond". Ela não elege um "007", pois a referência é o personagem, com sua ousadia inspiradora. Uma atitude que pode, segundo ela, ser transportada para o ambiente de trabalho - sem a licença para matar, claro.

A gerente gosta dos livros de gestão para se atualizar. Dos últimos que leu, "Os cinco desafios das equipes", de Patrick Lencion, ficou na sua cabeceira. "Conta a história de uma executiva do Vale do Silício e os problemas que podem corromper uma equipe."

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