Adriano Machado e Rodolfo Buhrer/Reuters
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O rali do mercado

Para tomada racional de posições no mercado financeiro seria preciso avaliar o resultado das urnas e o que vem depois.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2018 | 20h22

A súbita euforia do mercado financeiro, já denominada de efeito Bolsonaro, é a mais veemente manifestação de que o momento não é propício às análises racionais nem por quem põe dinheiro grosso na parada.

Prevaleceram nos dois últimos dias impulsos de manada, turbinados por um antipetismo disseminado – cujas causas não cabe aqui analisar – e que se aprofundaram com essa campanha do 13 em que os eleitores captaram mais ódio e revanchismo do que propostas para superar a estagnação e o desemprego. Desta vez, o PT renunciou a transmitir mensagens de “paz e amor” de outras campanhas.

Nessa hora, os movimentos são primários. Extrapolam o próprio comportamento do mercado financeiro. E têm a ver mais com as vísceras do que com a razão – não vai aqui nenhuma alusão à facada de que Bolsonaro foi vítima.

Para tomada racional de posições no mercado financeiro seria preciso avaliar o resultado das urnas e, também – e sobretudo –, o que vem depois.

São incomensuráveis as dúvidas sobre o que seria a política econômica de um possível futuro governo do capitão Bolsonaro. Ele mesmo reconhece que não entende nada de economia, como de tanta coisa mais. Talvez tenha dificuldades, inclusive, de distinguir Banco do Brasil de Banco Central do Brasil. Tanto reconhece seu desconhecimento que inúmeras vezes deixou claro que, em matéria de política econômica, consultaria o “posto Ipiranga”, seu guru economista Paulo Guedes. Mas isso não diz nada. Tanto não diz que, por diversas vezes, desautorizou declarações sobre matéria econômica tanto do seu próprio assessor econômico quanto do seu companheiro de chapa, o general Hamilton Mourão.

O PT foi mais explícito sobre as propostas de política econômica de um eventual governo Haddad no documento Plano Lula de Governo, cuja elaboração foi conduzida pelo próprio Haddad. Não só pelo que lá está como, também, pelo que lá não está, a perspectiva da volta de uma administração PT leva o risco de se tornar uma sucessão de desastres, como os que se viram ao longo e ao fim do período Dilma. O tratamento dispensado pelo próprio PT a Joaquim Levy e a Nelson Barbosa, ministros da Fazenda do governo Dilma, mostram que não cabe num governo PT nenhuma administração comprometida com o robustecimento dos fundamentos da economia.

Até agora, o PT não reconheceu nenhum dos seus erros graves. Não reconheceu nem os crimes de corrupção e saques do patrimônio público revelados pelas denúncias do mensalão e pela Operação Lava Jato nem os crimes administrativos que culminaram na manipulação dos juros e no descalabro orçamentário, com todas as artimanhas contábeis e as pedaladas fiscais usadas para escamoteá-las. Além de não reconhecer a autoria dessas mazelas, deixou claro tantas e tantas vezes que será capaz de repeti-los se conquistar a faixa presidencial.

A euforia do mercado financeiro nos últimos dias não pode ser entendida rigidamente, como antecipação do que vem aí, como se diz do comportamento da Bolsa, do câmbio (veja os gráficos acima) e dos juros futuros, porque haverá os days after, sabe-se lá quais.

​» Nova disparada do petróleo

Continua a disparada dos preços do petróleo. O Brent, negociado em Londres, o mesmo tipo que serve de referência para o petróleo do Brasil, fechou ontem acima dos US$ 86,29 por barril de 159 litros, alta de 36% só em 2018. A principal causa da nova escalada é o cerco comercial dos Estados Unidos ao Irã, que vem derrubando as vendas e a produção. Os novos parâmetros de preço devem aumentar o interesse pelo pré-sal do Brasil, mas são fator de aumento dos preços internos dos combustíveis

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