O relógio de pulso se adapta à era digital

Aparelhos se conectam aos smartphones para exibir e-mails ou informar a condição do tempo

THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2012 | 03h06

Os telefones celulares já invadiram o território dos relógios como uma ferramenta para informar as horas. Agora, algumas das maiores empresas de tecnologia também estão de olho no seu pulso. Companhias como Apple, Nike e Sony e dezenas de empresas iniciantes querem prender um aparelho no seu pulso.

Vai ser uma nova ruptura para o relógio de pulso, que, aliás, não nasceu há muito tempo. Embora digam que ele foi inventado em 1868 pelo fabricante suíço de relógios Patek Philippe, ele só se firmou após a 1.ª Guerra Mundial. Antes disso, as pessoas carregavam relógios em seus bolsos ou presos em correntes.

"Os fabricantes de relógios estavam se perguntando isso nos anos 1900, se fazia sentido ter um relógio no bolso", disse Blaise Bertrand, diretor de design industrial da IDEO, uma empresa de design. "Creio que a mesma pergunta está sendo feita agora, mas num contexto bem diferente, com os smartphones em nossos bolsos."

Os novos aparelhos de pulso não substituirão os smartphones, mas se conectarão a eles. A maioria continuará tendo a tarefa básica de informar o tempo, eliminando a necessidade de tirar um smartphone do bolso ou da bolsa. Mas eles fornecerão muito mais informações que o mais avançado relógio G-Shock hoje disponível.

A Sony, por exemplo, lançou este ano o Smartwatch, com tela de 2 polegadas quadradas que pode exibir e-mails, postagens no Twitter e outros tipos de texto, todos puxados de um smartphone Android. A Nike Fuel, uma faixa preta com um arranjo de luzes coloridas, mede a energia que você produz numa base diária e a envia a um smartphone.

A Jawbone vende o Up, um bracelete que rastreia a atividade diária do usuário e envia a informação a um aplicativo de iPhone. O Peeble, um relógio inovador que toca música e exibe texto, as condições do tempo e outras informações de um telefone, deve chegar ao mercado em 2013.

É a extensão do telefone que está agradando. "O pulso vira uma tela remota onde você tem a capacidade de controlar seu telefone com algumas aplicações diferentes", disse Stephen Sneeden, diretor de marketing de produtos da Sony. "O smartphone vai ajudar a redefinir o que vai em seu pulso."

Segundo Sneeden, executivos de empresas foram atraídos para o Smartwatch porque ele lhes permitiria interagir com seus telefones em reuniões sem parecer rude. (Ele disse também que comissários de bordo não diriam para as pessoas desligarem seus relógios durante a decolagem ou o pouso).

Mas apenas oferecer uma tela extra no pulso pode não ser suficiente. Segundo Hosain Rahman, presidente executivo da Jawbone, uma fabricantes de fones de ouvido e alto-falantes portáteis para smartphone, os aparelhos disponíveis para o pulso deviam alcançar um equilíbrio entre tecnologia e moda para seduzir um público mais amplo.

"Não sei se o mercado de massa vai querer um grande mostrador no seu pulso se já tem um mostrador no bolso", disse. "O pulso é usado para moda e visual. Você não pode simplesmente tornar uma coisa funcional, e ela não pode simplesmente ser moda, tampouco." Ele sugeriu também que as pessoas poderiam possuir vários aparelhos que usariam e tirariam ao longo do dia. Os consumidores provavelmente não comprarão vários smartphones. Mas, e vários aparelhos de pulso? É exatamente isso que a indústria eletrônica gostaria de saber. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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