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''O resultado mostrou que o BB estava certo''

Aldemir Bendine: presidente do Banco do Brasil; Presidente do banco defende ampliação do crédito em meio à crise e diz que ritmo continuará acelerado no 2.º semestre

Entrevista com

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

14 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente do Banco do Brasil (BB), Aldemir Bendine, viveu ontem seu dia de glória. Em abril, ele foi indicado para o cargo em meio a uma grande controvérsia. Dizia-se que Bendine, funcionário de carreira do banco, seguiria à risca as ordens do presidente Lula e abriria as torneiras de crédito da instituição, sem critério, o que poria em risco sua solidez. Ontem, ele exibia, com orgulho, os resultados do BB no primeiro semestre. "Sempre acreditamos em nossa proposta de trabalho. O resultado mostrou que o BB estava correto no movimento (de ampliar o crédito)", disse. O Estado conversou com ele pouco depois da entrevista coletiva concedida no auditório da sede do banco, em São Paulo. Diferentemente do ministro da Fazenda, Guido Mantega, Bendine fugiu da polêmica com o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal. Terça-feira, Setubal disse que a redução do spread nos bancos públicos "não é sustentável". Spread é a diferença entre a taxa de juro que o banco paga ao captar o recurso e a que cobra ao emprestá-lo.Muitos analistas criticaram a estratégia do BB de expandir o crédito no meio da crise e dizem que os problemas decorrentes só aparecerão entre o fim de 2010 e o início de 2011.Tenho dito que dou trabalho para os analistas porque derrubo as teses deles. O crescimento está sendo calcado em cima da nossa tradicional prática bancária de qualidade e os números mostram isso. Acima de tudo, os índices de perda do banco estão bem abaixo do sistema financeiro e a recuperação dessas perdas tem se dado em nível maior do que na concorrência. Não tenho nenhuma preocupação quanto a isso. Qual o limite para o crescimento do crédito no banco?Falo com o horizonte deste ano. Trabalhávamos com a expectativa de expandir o crédito entre 15% e 17%. O primeiro trimestre teve um resultado não muito bom e pensamos até em rever essas perspectivas (para baixo). Mas aconteceu de o desempenho no segundo trimestre ser espetacular. Com isso, estamos imaginando que conseguiremos atingir um crescimento sobre a carteira em 31 de dezembro do ano passado da ordem de 15%. Em valores, são cerca de R$ 30 bilhões. As boas perspectivas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo semestre nos encorajam a perseguir esse número. Por que os bancos privados reduziram o crédito no semestre?Fico constrangido de falar dos meus parceiros do mundo financeiro. Acho que cada banco adota um tipo de solução, de acordo com o momento que está vivendo. Não é nenhum demérito, mas temos uma tradição no Brasil de os bancos trabalharem com conservadorismo. Isso é até salutar porque, em momentos de dificuldade, dá mais segurança. Recentemente, uma agência de risco fez um teste de estresse nos bancos brasileiros que comprovou a solidez. O que talvez tenha sido importante e diferente para o Banco do Brasil é que antevimos a melhora nos indicadores da economia brasileira, notadamente os dados sobre massa salarial. O BB percebeu que o consumo interno daria a possibilidade de sustentar esse crescimento. Passamos a acreditar nisso, ao mesmo tempo em que queríamos exercer o papel de liderança de um banco público, que precisava ajudar na indução desse crédito. Fizemos um planejamento em cima disso e apostamos, de forma consciente. A queda de carteira dos bancos privados ocorreu mais fortemente nos quatro, cinco primeiros meses. Em junho, eles já passaram a ter uma evolução. Julho, pelo que vimos, também. O que percebemos, portanto, é que o Banco do Brasil saiu na frente. O sr. diz que fica constrangido de comentar a estratégia dos concorrentes. Não estranha o comentário feito esta semana pelo presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, sobre a sustentabilidade da queda do spread nos bancos públicos? Confesso que não li essa reportagem, só recebi alguns relatos a respeito. Portanto, não posso me aprofundar. O que posso dizer é que ele pode ter dito isso com base nas análises e nos números que ele tem lá, que tem uma composição diferente dos nossos. Algumas coisas me permitiram implementar um crescimento muito forte. Em primeiro lugar, o BB sempre praticou taxas mais agressivas e mais baixas, que fazem parte da estratégia do banco para conquistar mercado. Segundo, aproveitando uma retração que havia no sistema bancário, ganhamos participação de mercado. Essa política de taxa de juros mais agressiva está muito calcada em critérios técnicos. Temos nosso grande diferencial, que é o controle de inadimplência. O BB tem no DNA esse trabalho forte na concessão de crédito. Nossos funcionários sempre foram muito bem treinados nesse quesito e isso voltou a se repetir. O grande componente na formação da taxa de juros é a inadimplência, que o banco está sabendo trabalhar bem. Não concordo que a política de taxa de juros não era sustentável. Trabalhamos em cima de técnicas, parâmetros, que nos permitem fazer isso com muita segurança. Talvez, e isso é uma ilação, (a declaração de Setubal) esteja centrada na inadimplência. Os balanços mostram que as perdas no BB são bem menores do que na concorrência e a recuperação dessas perdas é em volume maior. Essa equação nos permite adotar uma política agressiva, que foi o que fizemos. É uma política extremamente sustentável. Com a queda da taxa de juros básica brasileira, que é uma situação dada, a forma de compensar é simples: aumentando o volume. Fazendo isso de forma criteriosa, sempre dentro da boa prática. A receita é simples, mas funciona. O resultado mostrou que o BB estava correto no movimento. O sr. teve algum contato com o presidente Lula, em que ele tenha expressado sua avaliação sobre a estratégia do banco?Sobre os resultados hoje apresentados, evidentemente, ainda não, porque acabamos de fazê-lo. Mas, quanto à postura do banco quanto a esse papel indutor, ele tem se mostrado extremamente satisfeito e tem tornado pública essa satisfação com que o banco tem demonstrado coragem, respondendo às necessidades da sociedade brasileira e apoiando o desenvolvimento do País.

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