coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Imagem Fábio Gallo
Colunista
Fábio Gallo
Conteúdo Exclusivo para Assinante

O risco ambiental afeta o retorno das carteiras

Valor de empresas é avaliado pela consideração ao meio ambiente, responsabilidade social e governança, além das métricas financeiras tradicionais

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2020 | 05h00

Larry Fink, presidente da BlackRock a maior gestora de recursos do mundo, com mais de US$ 7,4 trilhões em ativos sob gestão, participou recentemente do congresso da XP e trouxe à tona a preocupação dos investidores em alocar recursos considerando o risco climático. Fator de risco cada vez mais considerado pelos gestores, neste caso um risco social. Essa orientação de investimentos é conhecida pela sigla em inglês ESG, que significa Ambiental, Social e Governança – que teve origem em outras filosofias de investimentos, como a Socially Responsible Investing (SRI). Embora a ESG tenha evoluído e não se confunda mais com a SRI, a abordagem negava investimentos em empresas que não fossem consideradas socialmente responsáveis. A postura de investimento em ESG é a de buscar analisar e avaliar o valor de empresas que levam em consideração o meio ambiente, a responsabilidade social e a governança da organização, além das métricas financeiras tradicionais. 

Em todo o mundo, a consideração de fatores não financeiros para buscar identificar riscos materiais e indicadores de oportunidades de crescimento ganha importância, embora não constem ainda dos relatórios financeiros obrigatórios. Como nos esclarece o CFA Institute, não existe uma lista exaustiva de exemplos de indicadores ESG. São métricas que embora possam ser quantificadas, apresentam sérias dificuldades para sua valorização em termos monetários, além de não serem facilmente classificadas em cada um dos aspectos de ESG. Por exemplo: nas questões sociais, a conduta da empresa com relação a gênero, diversidade, relações com a comunidade e direitos humanos podem ser avaliadas, mas é de difícil tradução em valores monetárias.

No entanto, a perspectiva é de que essas análises, com o envolvimento de instituições ligadas a essas questões, devem levar a um processo e a geração de um conjunto de indicadores que conduzam à métricas mais completas e mais eficazes, inclusive com a utilização de Big Data. A análise de investimentos que considera o equilíbrio entre risco e retorno e deixa de lado os riscos ESG será um equívoco que terá cada vez mais peso e poderá levar a perdas substanciais aos investires e gestores menos atentos. Os fatores ESG devem integrar as estratégias das empresas que querem gerar valor para seu acionista e para a sociedade. Da mesma maneira que devem orientar politicas públicas. Está na hora de levarmos em consideração esses valores e entendermos que a empresa compartilham de elevado grau de responsabilidade social e geração de valor, o que atrai o investidor.

Tudo o que sabemos sobre:
investimento financeiromeio ambiente

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.