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O risco da indigestão

O risco é de uma 'indigestão' com tantas medidas, ao mesmo tempo em que muitas podem ficar engavetadas ou pior, saírem de lá como um 'Frankenstein'

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2019 | 21h58

O ministro da Economia, Paulo Guedes, fez uma aposta de alto risco ao lançar numa só tacada um audacioso e amplo plano de reformas na tentativa de emplacar um novo marco institucional para a gestão das contas públicas em todas as esferas de governo: União, Estados e municípios.

As medidas são duras e, com certeza, vão na direção correta de um ajuste definitivo para a crise financeira do setor público brasileiro, sobretudo dos Estados.

Mas o que muitos se perguntam é como está o clima no Congresso pra recepcionar essa avalanche de PECs fiscais?  

O risco é de uma “indigestão” com tantas medidas, ao mesmo tempo em que muitas podem ficar engavetadas ou pior, saírem de lá como um “Frankenstein”

Um dos problemas a serem resolvidos logo de cara é a ciumeira entre Senado e Câmara em torno do protagonismo das propostas.  A divisão do pacote pendeu para o Senado. Isso ficou claro, embora nem todas as medidas tenham sido enviadas.

Guedes também não foi feliz ao falar, durante a entrega das propostas, que é melhor uma reforma da Previdência aprovada com potência fiscal de R$ 800 bilhões acompanhada de ajuste nos Estados e municípios do que uma economia fiscal de R$ 1 trilhão sem a inclusão desses entes.

O ministro esqueceu do papel da Câmara. Deputados entregaram uma reforma maior e não ganharam o crédito. Já o Senado, que reduziu a economia da proposta e retarda por razões ainda obscuras  a promulgação das novas regras, é elogiado pela Proposta da PEC Paralela, que pode desidratar ainda mais a reforma já aprovada.  

 É bom não esquecer que no Congresso os gestos valem muito. Ainda mais quando o ministro vai precisar da Câmara para conseguir aprovar o que é mais urgente do seu pacote.

*É JORNALISTA

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