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O risco da reindexação

O Brasil está diante de um novo desafio: o de evitar que a inflação coloque novamente em risco a estabilidade da economia e volte a corroer o poder de compra do consumidor e a capacidade das empresas de traçar estratégias de médio e longo prazos. Nos últimos meses, o aumento mundial nos preços das commodities chegou ao bolso do consumidor, especialmente na área de alimentos. Muitos reajustes ainda estão em plena negociação e devem chegar às prateleiras nos próximos meses.

Análise: José Milton Dallari Soares, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

O maior risco que o País corre hoje, com a pressão dos preços e a aprovação do novo valor do salário mínimo, é a volta da indexação da economia. Não podemos esquecer que o mínimo dita o tamanho da folha de pagamentos de inúmeras empresas e prefeituras. A volta da indexação levaria à necessidade de um novo plano de estabilização econômica, revivendo um passado que a maioria dos brasileiros não quer ver repetido.

A economia tem quatro grandes grupos de preços capazes de ditar reajustes em cadeia: o da energia, dos minerais, dos alimentos e dos produtos químicos. Formam, na prática, os preços diretores da economia, capazes de contaminar cadeias produtivas inteiras.

Embora a economia brasileira, como a de todos os países, sofra os efeitos do aumento mundial das commodities, o governo tem motivos para se preocupar. São dois os setores que merecem atenção neste momento: o dos minérios e o da energia. São monopólios ou oligopólios que ditam as regras e os reajustes para o resto da economia.

A falta de concorrência entre as empresas de alguns setores permite que elas repassem totalmente os custos aos preços, criando a bola de neve que chega ao consumidor e aos índices de preços e faz ressurgir a indexação.

Agências reguladoras, hoje ainda frágeis, são instrumentos de acompanhamento de setores e estímulo à entrada de novos players no mercado, gerando mais concorrência e reduzindo poder de manipulação de preços. Do ponto de vista mais imediato, o governo tem instrumentos para conter o risco, como as tarifas de importação e exportação e os demais mecanismos que regulam o comércio internacional. O governo não pode se descuidar, nem abrir mão dos instrumentos que dispõe para acompanhar os preços. O risco para o País é alto demais para apostar na inércia.

CONSULTOR DE PREÇOS, EX-SECRETÁRIO DE ACOMPANHAMENTO ECONÔMICO DO MINISTÉRIO DA FAZENDA

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