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Fábio Gallo
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O risco de investir em um IPO

Tudo indica que ainda há fôlego para novas empresas entrarem na Bolsa. Mas é preciso analistar muito bem as condições dessas oportunidades

Fábio Gallo*, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 04h00

O ano de 2020 iniciou com o Ibovespa beirando os 120 mil pontos. Mas, por conta da pandemia, março foi marcado por uma das maiores quedas do índice: 47%. Mesmo após a escalada posterior de 58% até novembro, restam ainda mais de 30 pontos porcentuais para se recuperar os níveis do início do ano.

 

No entanto, o ano também trouxe boas notíciais para o mercado de capitais local. Na B3, houve 37 ofertas de ações, com captação de R$ 78 bilhões. Desse total, 19 foram as ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês), com captação de mais de R$ 23 bilhões. Para os próximos meses, estão na fila de IPOs mais de 50 empresas.

 

No exterior, a onda não é diferente. No mercado americano, ocorreram 364 IPOs em 2020, apresentando um crescimento de mais de 78% em relação ao mesmo período do ano passado. Dentre os lançamentos, uma das ações obteve crescimento de 263%, ao passo que outra caiu 90%. 

Um dos destaques por lá foi a operadora de dados Zoom (ZI), que teve suas ações lançadas em junho último, sendo captados US$ 8,2 bilhões e, até agora, o seu desempenho tem sido muito bom, com subida de preços de 96%. Uma outra, o lançamento da Snowflake, que é uma plataforma de dados em nuvem, chamou a atenção até de Warren Buffett. A empresa levantou US$ 33,2 bilhões.

 

As notícias mostram que há uma longa lista de empresas que pretendem abrir capital em 2021. As análises indicam que essa rápida recuperação tem ocorrido em virtude das baixas taxas de juros, que fizeram surgir boas oportunidades de negócios. Mas, também, em virtude das megatendências, particularmente da transformação digital.

 

Muitas das empresas que captaram recursos no mercado de capitais são ligadas à inteligência artificial, dados em nuvem e também biotecnologia. Muitos desses negócios surgiram de startups financiadas por firmas de capital de risco, conhecidas como venture capital, e que de forma natural foram ao mercado de capitais. No nosso mercado, a Locaweb tem sido um sucesso. Desde o lançamento de suas ações, em fevereiro, o seu preço subiu mais de 260%. Por outro lado, a Moura Doubeux está com queda de quase 50%.

 

Tudo indica que ainda há fôlego para novas empresas entrarem no mercado local. Com a perspectiva de manutenção de taxas de juros baixas e, caso a recuperação econômica ocorra com mais rapidez, teremos boas condições para os negócios.

 

Por outro lado, o investidor deve considerar que entrar num IPO tem grau de risco elevado. Podemos realizar tanto um bom lucro, como um grande prejuízo. 

Para entrar nesse tipo de investimento, o investidor deve se preocupar em analisar bem as condições da empresa, além do cenário econômico. Não deve ser um investimento por impulso, somente olhando o momento, mas, sim, as perspectivas da empresa diante da tendências do mercado. 

* Fábio Gallo é professor de finanças da FGV-EAESP

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