O ritmo ainda insatisfatório na atividade industrial

O comportamento do setor secundário foi insatisfatório no primeiro trimestre, segundo a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada ontem. A produção cresceu entre fevereiro e março, mas caiu em relação a março de 2012. Foi o pior março desta década.

O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2013 | 02h10

Não é a falta de demanda que mais preocupa os industriais, mas os custos crescentes com matéria-prima e competição acirrada, além da carga tributária elevada. Os problemas são parte dos freios que limitam a retomada tanto da indústria quanto da economia em geral. Freios que, em geral, decorrem da baixa eficiência da política oficial.

Os juros, por exemplo, figuram num distante 7.º lugar entre os maiores problemas citados na pesquisa, mas o governo lhes atribui peso máximo. O custo da matéria-prima decorre tanto dos preços das commodities negociadas no mercado internacional quanto do protecionismo, por exemplo, no setor siderúrgico. O Brasil é um dos países mais fechados do mundo, o que não parece proteger bem a indústria local.

A carga tributária sempre foi vista como o maior problema da indústria, mas sua importância caiu em relação ao último trimestre de 2012. Isso se deve, provavelmente, às desonerações da folha de salários e do IPI - ou seja, não ajudam toda a indústria.

A sondagem da CNI confirma os indícios de que o setor está, financeiramente, mais apertado - o acesso ao capital de giro está sendo mais difícil, em especial, para as pequenas e médias companhias. Aumentou, por exemplo, o porcentual de empresas com falta de crédito de longo prazo. As margens de lucro estão em queda.

Diminuiu o problema da falta de trabalhadores qualificados, um dado positivo. É possível que o setor de serviços já não esteja "roubando" tanto o pessoal da indústria, o que é confirmado pelos dados do Ministério do Trabalho. Na comparação entre março de 2012 e março de 2013, a indústria - e em especial os setores com folha de pagamentos desoneradas - contratou mais pessoal.

A expectativa de que 2013 seja melhor do que 2012 não é confortadora, pois houve recessão industrial no ano passado. Uma melhora, para ser sustentável, depende do aumento da produtividade e da competitividade da indústria. O gerente da CNI Flávio Castelo Branco nota que "não há clareza" quanto ao futuro.

Um bom termômetro é o uso da capacidade instalada, hoje de 70%. Quando esse porcentual aumentar, os investimentos serão retomados - e aí se poderá falar em recuperação.

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