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''O ritmo das importações da China não vai se sustentar''

Entrevista - Wang Tao: economista-chefe do UBS na China; para economista, as empresas estão com grandes estoques e não devem repetir o surto de compras do 1.º semestre

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2009 | 00h00

A recuperação da atividade do setor de construção civil será essencial para o crescimento da China em 2010, quando o impacto do pacote de estímulo de US$ 584 bilhões, anunciado em novembro, será bem menor do que neste ano, afirma a economista-chefe do Banco UBS no país, Wang Tao. "A atividade da construção civil é extremamente importante para a economia e tem tanto peso quanto o investimento em infraestrutura gerado pelo pacote de estímulo", disse a economista ao Estado. Nesta semana, Wang estará em São Paulo para apresentar sua visão da economia chinesa a clientes brasileiros. Wang acompanha o assunto há duas décadas, dentro e fora de seu país. Por oito anos, foi economista sênior do Fundo Monetário Internacional (FMI), responsável pelo acompanhamento da China. Nesse período, viu os equívocos de todas as previsões pessimistas sobre seu país.Na crise atual, ela se alinha com os otimistas e acredita que o país poderá crescer a taxas próximas de 8%. Mas alerta que o surto de importação de commodities experimentado pela China no primeiro semestre não deverá se sustentar nos próximos meses.A seguir, os principais trechos da entrevista. Por que os investidores ficaram tão nervosos na semana passada? Nas últimas duas semanas, os investidores ficaram nervosos com a possibilidade de um aperto na política monetária, especialmente porque o aumento do crédito no primeiro semestre ocorreu em uma velocidade que não é sustentável. Todo mundo sabia disso. Em julho, o volume de novos empréstimos caiu de maneira acentuada. O mercado teme que não haverá no resto do ano a mesma oferta de liquidez que vimos no primeiro semestre. É uma preocupação válida, já que a expansão do crédito e a liquidez foram concebidos para se sustentar no segundo semestre. Além disso, houve rumores de que parte dos financiamentos bancários foi destinada ao mercado acionário, ainda que eu não acredite que tenha sido uma parcela significativa. O mercado acionário na China é normalmente sustentado pela liquidez e não por fundamentos. Não acredito que a recente queda nas ações reflita o que está ocorrendo na economia real. O pacote de estímulo ainda está em andamento e os recursos distribuídos ainda não foram totalmente aplicados. Por isso, continuaremos a ver o aumento dos investimentos e da demanda por materiais de construção e, em consequência, por commodities. Apesar da queda esperada nos novos empréstimos na segunda metade do ano, haverá liquidez suficiente para sustentar a demanda da economia real. A forte demanda chinesa por commodities vai se sustentar nos próximos meses? Temos de distinguir entre dois tipos de demanda. A primeira é a demanda real por commodities e materiais de construção utilizados na economia. Esse tipo de demanda é sustentável e deverá ficar ainda mais forte porque a maioria dos projetos de infraestrutura só começou na primavera. Ainda temos alguns meses antes que todos eles tenham início e sejam concluídos. Ao mesmo tempo, o investimento na construção de residências só começou a reagir nos últimos dois meses e esse é um setor que consome ainda mais commodities na China. Por isso, nos próximos dois trimestres a demanda por commodities vai definitivamente se fortalecer. O outro tipo de demanda é a de importação, e essa é uma história diferente porque vimos a importação de commodities subir de maneira muito acentuada na primeira metade do ano. Parte desse movimento foi uma antecipação da demanda da economia real, com a recomposição de estoques ou a formação preventiva de estoques. Muitas companhias começaram a importar antes do tempo, diante da expectativa dos efeitos do pacote de estímulo econômico. Outro fator foi a diferença de preços entre o mercado doméstico e o internacional. No começo do ano, as cotações dentro da China estavam mais altas que no exterior, portanto fazia sentido importar enormes quantidades de minério de ferro, cobre, alumínio, etc. Em alguns casos, houve aumento de 40% das importações, em outros, de 200%. Isso não significa que a demanda real subiu nesses patamares, mas sim que houve estoques e também substituição de fornecedores. Agora, a diferença de preços entre o mercado doméstico e o internacional diminuiu porque o frete e a cotação internacional do minério de ferro aumentaram. Por isso, não creio que a velocidade de importação que vimos no primeiro semestre vai se sustentar.As importações de commodities vão crescer menos ou diminuir?Vai depender do produto. A China continuará a ser um grande importador de minério de ferro. A velocidade não será tão grande quanto antes, mas a demanda não vai desaparecer. Por quanto tempo vamos ver os efeitos do pacote de estímulo à economia? O pacote foi concebido para durar dois anos. Muitos projetos de infraestrutura demandam um ou dois anos para serem concluídos. Em termos de recursos investidos, o próximo ano não verá redução em relação ao atual. Mas o impacto do pacote sobre o crescimento será menor porque neste ano nós começamos do zero. No próximo ano, estaremos em um patamar mais alto e, se gastarmos um pouco mais, o impacto será muito menor em termos de contribuição para o crescimento. Mas, se olharmos quantas toneladas de aço a China vai precisar, no próximo ano será mais. A sra. espera crescimento de 8,5% em 2010. Se o impacto do estímulo não será tão grande como em 2009, o que vai mover o crescimento? Haverá dois elementos, e um deles é a exportação. Não esperamos que as exportações subam fortemente, mas esperamos alguma reação. Em 2009 tivemos um enorme declínio nas vendas externas e em 2010 deveremos ver um pequeno aumento. Se sairmos do terreno negativo para zero ou pouco acima de zero, isso terá um grande impacto. A construção de imóveis é o setor que terá a maior contribuição para o crescimento. A construção começou a reagir há poucos meses e seu impacto vai durar por algum tempo.

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