Marcelo Casall Jr./Agência Brasil
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Elena Landau
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O rumo do País é definido pelo Centrão

O ministro da Economia Paulo Guedes abandonou o liberalismo de palestra para abraçar o populismo; único objetivo é perpetuar o bolsonarismo no poder

Elena Landau*, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2022 | 04h00

“Madalena, você não quer que eu volte.” O inesquecível personagem do Jô me vem à cabeça quando leio as notícias recentes. A situação, que já era ruim, não para de piorar. Até o presidente do Banco Central se disse surpreendido pela inflação de março. Imagina o susto dos pobres mortais.

Indiferentes à pobreza e ao desemprego a sua volta, “empresários” e políticos vão se aliando no ataque às contas públicas. Uma das novidades é a perpetuação das desonerações. Não há estudo algum que garanta que essa política tenha tido impacto positivo sobre emprego. Mas a avaliação de políticas públicas não está no catálogo dos lobistas. Para desonerar uns poucos, a proposta deles é onerar todos nós, com a CPMF. Sim, ela está de volta. Parece um zumbi, vagando por aí, a nos assombrar.

Outro grupo de empresários teve a brilhante ideia de apoiar uma emenda constitucional reduzindo o papel da regulação independente. A tentativa de captura das agências pelos regulados não veio nem disfarçada. Inconformado com as regras de governança que salvaram as estatais do intervencionismo, Lira já quer acabar com a lei que permitiu gestão técnica na Petrobras.

O país está sem rumo, ou melhor, o rumo está sendo dado pelo Centrão. E vão tirando o máximo nos últimos meses de governo. Tudo acontece com o apoio do ministro da Economia, que abandonou o liberalismo de palestra para abraçar o populismo explícito. Seu único objetivo é perpetuar o bolsonarismo no poder.

Mas, graças ao trabalho da imprensa, o orçamento capturado pelo Centrão já não é mais tão secreto. Depois da perversidade dos desvios de recursos da Saúde na pandemia, agora é a vez da Educação. Bíblias, ônibus superfaturados, robôs e escolas de mentirinha em lugar de criança na escola. E ainda tivemos a lista de compras do pelo Exército para coroar a semana.

Estava começando a escrever esta coluna quando recebi a notícia da morte de Eduardo Guardia. A perda é imensa. Ele representava tudo que falta aos homens públicos que estão hoje no comando do País. Excelente técnico e ótimo chefe. Um negociador político de grande habilidade. Organizou a economia que recebeu em frangalhos em 2016. Sob sua liderança tivemos uma das melhores equipes econômicas da nossa história. Discreto e generoso, deixava todos em volta brilhar em seu lugar. Tenho inveja daqueles que puderam usufruir de seus ensinamentos, gentileza e amizade. O que ele realizou por onde passou me traz alguma esperança: mostra o poder de transformação de um homem com qualidades.

*ECONOMISTA E ADVOGADA. CONTRIBUI COM O PLANO ECONÔMICO DE SIMONE TEBET

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