O salto na inflação dos idosos

Preços mais altos de alimentos e medicamentos empurraram para 0,8% no trimestre passado e para 4,75% em 2018 o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade

Editorial Econômico, Impresso

22 Janeiro 2019 | 05h27

Os preços mais altos de alimentos e medicamentos empurraram para 0,8% no trimestre passado e para 4,75% em 2018 o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). É uma boa indicação do aperto financeiro enfrentado pelas pessoas com mais de 60 anos de idade, em geral sobrecarregadas por empréstimos consignados e custos com o sustento de familiares mais jovens.

Os índices de inflação representam uma média, não valendo, portanto, nem para qualquer família nem para qualquer classe de renda. Ainda assim, os índices que apuram o nível de inflação por classes sociais tendem a ser mais precisos do que aqueles que medem a inflação geral.

Em dezembro, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda foi mais elevado para as famílias de renda muito baixa do que para as famílias de renda alta, o que não impediu que o índice em 12 meses fosse menor para as famílias de baixa renda. A alta de dezembro foi consequência da alta de preços de alimentos in natura consumidos nos domicílios, como legumes, verduras, frutas e carnes. Esses itens pesam muito tanto para a população mais idosa como para a população mais pobre, que gasta grande parte da renda com alimentação.

O IPC-3i superou em um ponto porcentual a inflação medida pelo IPCA, que foi de 3,75% em 2018. Já o indicador Ipea por Faixa de Renda, em igual período, oscilou entre 3,54% para as rendas muito baixas e 3,92% para as rendas altas. Mas a diferença de inflação entre as várias classes de renda está-se estreitando.

Problemas climáticos poderão pressionar para cima os preços dos alimentos in natura em 2019, teme o economista André Braz, da FGV. Além disso, os preços administrados também poderão subir acima da média.

No geral, os índices de inflação tendem a permanecer comportados em 2019. As perspectivas são favoráveis, a começar do índice oficial de inflação (IPCA), estimado, em média, em 4,01% pelas consultorias privadas que fornecem dados para o boletim Focus do Banco Central.

A inflação sob controle é fator essencial para a preservação da renda real dos trabalhadores e do poder aquisitivo da moeda, contribuindo, portanto, para dar alento à atividade econômica. Se os juros caírem mais rapidamente, o consumo em geral será beneficiado.

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