O Santa Clara virou 3 Corações

Durante décadas, o grupo potiguar responsável pelo beneficiamento, industrialização e comercialização de seis marcas de café no País atendeu pelo nome de Santa Clara e reinou absoluto no Norte e Nordeste. Mas a aquisição da mineira 3 Corações, em 2005, mudou a trajetória da empresa. O café 3 Corações cresceu tanto e ficou tão conhecido que o conglomerado decidiu adotá-lo como marca institucional.

Clayton Netz, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2010 | 00h00

O Grupo 3 Corações será oficialmente apresentado hoje aos varejistas e consumidores, na abertura da feira da Associação Paulista de Supermercados (Apas). "Queríamos um nome capaz de consolidar o grupo como marca nacional", diz Pedro Lima, presidente da empresa. Após contratar uma consultoria especializada, a Thymus Branding, ouvir funcionários e consumidores, Lima e seus sócios chegaram à conclusão de que a nova identidade estava dentro de casa.

Quando entrou na 3 Corações, a partir de uma joint venture com o grupo israelense Strauss, dono da marca, a intenção de Lima era clara: chegar à região Sudeste. Não só conseguiu o objetivo, como colocou a 3 Corações, fundada no município de Santa Luzia, na Grande Belo Horizonte, na liderança do mercado nacional, com 19,8% de market share, disputado xícara a xícara com a americana Sara Lee, dona do café Pilão, segundo a consultoria Kantar Worldpanel. "Quando chegamos a São Paulo, a 3 Corações detinha 1% do mercado local; hoje temos 15%", diz Lima. A expansão da empresa, há 20 anos mantida num ritmo superior aos dois dígitos, se deve, segundo Lima, às ações nas áreas de marketing, logística e operações.

O Grupo 3 Corações, que transferiu sua sede de São Miguel, no interior do Rio Grande do Norte, para Fortaleza, conta com quatro mil funcionários, sete fábricas, três beneficiadoras de grãos verdes e 23 centros de distribuição próprios. Atualmente, seus produtos são vendidos em cerca de 95 mil pontos de venda, chegando a uma receita de R$ 1,45 bilhão em 2009.

Além da 3 Corações e da Santa Clara, fazem parte do portfólio do grupo as marcas regionais de café Pimpinela, Letícia, Kimimi e Forte, assim como os refrescos Frisco e Tornado e produtos derivados de milho, temperos e filtros de papel. A empresa atua, ainda, no mercado de fast food e exporta para mais de 30 países, de onde provém 15% do seu faturamento. Com a nova marca institucional, o grupo planeja fazer aquisições, num mercado formado por cerca de 800 empresas. "Há ainda muito espaço para a consolidação do setor", diz Lima.

ESCOLAS DE NEGÓCIOS

Dom Cabral entre as Top

Ten do "Financial Times"

Às vésperas de completar 35 anos de atividades, a Fundação Dom Cabral (FDC), de Belo Horizonte, está ingressando no seleto clube das Top Ten do ranking das 50 melhores escolas de formação de executivos do mundo, elaborado pelo jornal britânico Financial Times. Na edição deste ano, que será divulgada nesta segunda-feira, a escola mineira ficou na 6.ª posição, uma melhora significativa em relação a 2009, quando ocupou o 13.º lugar. "É a primeira vez que uma escola de negócios brasileira se classifica entre as dez melhores", diz o professor Paulo Resende, diretor de desenvolvimento e pós-graduação da FDC. "Isso mostra que estamos oferecendo no Brasil um ensino executivo de alta qualidade, no mesmo patamar dos melhores centros de formação do planeta." A lista deste ano é encabeçada pela Harvard Business School (Estados Unidos), seguida pela HEC (França), IMD (Suíça), Center for Creative Leadership (Estados Unidos/Bélgica) e Iese (Espanha).

Custo-benefício compensa

No ranking de 2010, a Dom Cabral deixou para trás nomes consagrados, como os franceses Insead e Essec e os americanos Thunderbird, Stanford, Wharton e Kellogg. Entre as brasileiras, a mais próxima é o Insper (ex-Ibmec), que ficou em 27.º lugar na classificação geral. Para chegar aos resultados, o FT encaminhou questionários às escolas, alunos e empresas que contratam seus cursos "in company". Dois itens decisivos são a contribuição dos cursos para alavancar as carreiras dos alunos e a influência dos ensinamentos para o aprimoramento das estratégias das empresas. "A opinião dos clientes responde por 80% da nota de avaliação", diz Resende. "Ela mostra se o custo-benefício do curso é compensador." Com alunos espalhados pelos Estados Unidos, Portugal, França, Peru, Chile, Colômbia e Argentina, a FDC, cujo câmpus está localizado em Nova Lima (MG), ministrou cursos para 22 mil executivos no ano passado.

COMÉRCIO EXTERIOR

Brasil e Alemanha fazem

rodada de negócios

Empresários e representantes dos governos do Brasil e da Alemanha estarão reunidos entre os dias 30 de maio e 1º de junho, no Encontro Econômico Brasil-Alemanha 2010, em Munique, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e sua congênere alemã, a Bundesverband der Deutchen Industries (BDI). A previsão é de que mais de 150 empresas brasileiras estejam no evento, participando de rodadas de negócios. "Os setores que mais devem gerar negócios são os de bens de consumo, agronegócio, serviços tecnológicos e de bens de capital", diz Ingo Plöger, coordenador do Encontro pela Câmara Alemã. Em 2009, o saldo do comércio bilateral entre os dois países foi desfavorável para o Brasil, que contabilizou um déficit de US$ 3, 6 bilhões: as exportações brasileiras somaram US$ 6,2 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 9,8 bilhões.

COPA DO MUNDO

Rede paranaense investe na reforma de hotéis

De olho no fluxo de hóspedes gerado pela Copa do Mundo de 2014, a rede hoteleira paranaense Slaviero decidiu: embora contemple a construção de novas unidades, vai centrar sua mira na revitalização de hotéis existentes, controlados por empresários independentes. O alvo são os hotéis antigos, que ficaram obsoletos para os padrões atuais. Segundo Eraldo Santanna, gerente de expansão da Slaviero, o grupo pretende incorporar à sua bandeira 15 hotéis por intermédio de parcerias com os proprietários dessas unidades, além de construir cinco novos hotéis da estaca zero. Presente no estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Espírito Santo, com 20 estabelecimentos, a Slaviero quer, com isso, dobrar seu faturamento para R$ 120 milhões nos próximos quatro anos.

BATALHA DE NEGÓCIOS

Empresas chamam os universitários

O bordão "vamos chamar os universitários", do apresentador Silvio Santos, foi adaptado pelo holandês, residente no Brasil, Hans van Hellemondt no site Battle of Concepts (Batalha de Conceitos, em português). A ideia consiste em levar a alunos das principais universidades do País desafios reais do mundo dos negócios - são as batalhas sugeridas no nome do site. As respostas são avaliadas pelas empresas e os melhores trabalhos recebem prêmios em dinheiro. O conceito existe há seis anos e é aplicado largamente na Holanda, onde já foram realizadas mais de 100 "batalhas" e distribuídos cerca de 500 mil aos universitários.

Custo irrisório

Entre as primeiras empresas a aderir à ferramenta no Brasil estão a Tecnisa, Volpak, Philips e Whirlpool. Cargill, Natura, Usiminas, Petrobrás e o governo de Minas Gerais devem bater o martelo em breve. Segundo José Cláudio Terra, sócio da Battle of Concepts no Brasil, o grande atrativo do modelo é o baixo custo para se propor uma "batalha" - em torno de R$ 35 mil, incluída a premiação dos estudantes. "Esse é um custo irrisório para as empresas diante da quantidade de boas alternativas que recebem", afirma Terra.

SUSTENTABILIDADE

Walmart transforma 40% de seu lixo em adubo

Em 2009, 40% do lixo produzido pela cadeia de lojas do Walmart do Brasil foi convertido em material orgânico, por meio de um tratamento de decomposição de resíduos. O montante reciclado pelo projeto "Impacto Zero", implantado nas 440 lojas brasileiras da rede americana e para o qual foram treinados 1,8 mil funcionários, equivale a 38 mil toneladas de resíduos.

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