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O significado da redução do saldo das cadernetas

O aperto no bolso dos consumidores forçou muitos deles a recorrer às suas reservas para atender a gastos essenciais. Isso explica, em boa parte, o volume excepcional de saques nas cadernetas de poupança, que superam de longe os depósitos, deixando um saldo negativo em fevereiro de R$ 6,264 bilhões, o recorde mensal na série histórica iniciada em 1995. Mas há outro fator a considerar. Com a disparada da inflação e o aumento da taxa básica de juros (Selic), as aplicações em cadernetas de poupança vêm se tornando cada vez mais desinteressantes em comparação com outros tipos de investimento.

O Estado de S.Paulo

11 de março de 2015 | 02h04

A poupança rendeu em fevereiro 0,52%, incluída a Taxa Referencial (TR), o equivalente a 6,42% ao ano, mas a inflação de 12 meses atingiu 7,7%. As regras para a poupança foram alteradas em 2012, quando os investimentos na caderneta eram vantajosos. As aplicações feitas após 4 de maio de 2012 passaram, então, a render 70% da taxa Selic, se esta não ultrapassasse 8,5% ao ano. Acima disso, a remuneração voltaria a ser como era. Como a Selic já está em 12,75%, as aplicações em poupança ficaram muito defasadas.

As cadernetas apresentam desvantagens em relação a diversos fundos de investimento, sujeitos ao pagamento de Imposto de Renda. Um fundo DI, que acompanha o rendimento dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI), está rendendo 10,95% ao ano. Descontado o Imposto de Renda médio de 17,5% e a taxa de administração de 1%, o rendimento líquido é de 8,04%.

É uma vantagem de mais de 1,5 ponto porcentual sobre a poupança. Isso pode ter levado muitos poupadores, especialmente os maiores, a mudar suas aplicações.

Se a regra segundo a qual a poupança deveria render 70% da Selic tivesse sido mantida, qualquer que fosse o nível da taxa básica de juros fixada pelo Banco Central, sua remuneração deveria estar agora em 8,92% mais TR, isenta de tributação e sem a incidência da taxa de administração cobrada pelas instituições financeiras em outras aplicações. Continuaria sendo uma aplicação competitiva.

Dos recursos da poupança, 65% devem ser destinados ao setor imobiliário, mas nesta fase de desaquecimento da construção civil, especialmente nas grandes metrópoles, a redução dos saldos em cadernetas não chega a ser preocupante. Mas preocupa porque sugere, entre outras coisas, a perda de renda dos consumidores, o que pode acentuar a paralisia da economia.

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