O significado do recuo da indústria de São Paulo

Entre novembro e dezembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial brasileira caiu 3,5% - porcentual muito elevado. Nos Estados do Sudeste, em Minas Gerais a queda foi de 8,6%; em São Paulo, de 5,5%; no Espírito Santo atingiu 3,6%; e no Rio de Janeiro, 3%. Os centros de maior produção industrial registraram, portanto, declínio substancial, justificando a apreensão dos analistas em geral e dos técnicos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2014 | 02h09

Segundo a Análise Iedi, distribuída anteontem, "ficou claro que a indústria brasileira ainda encontra dificuldades para concorrer com os produtos importados no mercado doméstico". Melhor explicando, a desvalorização do real, em 2013, não bastou para restituir competitividade ao produto brasileiro, cuja produção é onerada por tributos, deficiências logísticas e excesso de burocracia, entre outros fatores.

Comparando dezembro de 2012 com dezembro de 2013, a produção industrial paulista caiu 6,4%, recuo inferior apenas ao de Minas (7,2%) na mesma base de comparação. Em São Paulo, a queda foi puxada pelo setor farmacêutico (-39,2%), veículos automotores (-20,4%) e edição, impressão e reprodução de gravações (-15,6%), seguindo-se alimentos, borracha e plástico e máquinas, equipamentos e material elétrico.

O enfraquecimento industrial foi generalizado, alcançando 22 dos 27 setores e 11 dos 14 locais pesquisados. Outras quedas expressivas ocorreram no Paraná (-7,3%), no Rio Grande do Sul (-3,2%) e no Ceará (-6,2%).

Os dados trimestrais mostram que a produção industrial perdeu ritmo no ano passado, saindo do campo positivo, no primeiro semestre, para o negativo, no segundo. O terceiro trimestre registrou queda de 1,3% em relação ao segundo, e o quarto trimestre, recuo de 0,8% comparativamente ao terceiro trimestre.

Especialistas enfatizaram que os incentivos governamentais deram alento aos setores de bens de capital e de bens duráveis. Mas também constataram que os benefícios perderam força ao longo do ano.

Pode-se dizer que a política de incentivos malogrou, comparando o custo para as contas fiscais e os ganhos (relativamente modestos) verificados nos setores estimulados.

A cada dia se constata que a política econômica é insustentável. Assim como são insustentáveis déficits nominal e cambial de grande magnitude e inflação elevada.

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