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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

''O sucesso conquistado no passado não garante o do futuro''

O fundador e presidente da Gran Sapore, Daniel Mendez, alimenta diariamente 850 mil pessoas. É quase metade da população de Montevidéu, capital do seu país de origem, o Uruguai. Depois de trabalhar como garçom no restaurante do pai, Mendez decidiu fundar a empresa de refeições corporativas em 1992. O capital inicial foi modesto: o empresário vendeu um carro Gol GTI e também usou seu fundo de garantia. "É óbvio que comandava uma empresa desconhecida. Meu primeiro cliente disse que me escolheu por causa do brilho dos meus olhos", lembra.

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

Hoje, a Gran Sapore tem 15 mil funcionários, operações no México e na Colômbia e encerrou 2010 com um faturamento de R$ 900 milhões. "A previsão para este ano é crescer entre 10% e 15%", diz Mendez, que chegou ao Brasil com 11 anos. O otimismo é impulsionado pelo bom momento da economia em geral e pelos grandes eventos que o País vai sediar, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. A seguir, confira os principais trechos da entrevista concedida ao Estado.

O sr. esperava comandar uma empresa tão grande tendo começado com um capital baixo?

Eu sempre pensei na frente. Sempre quis mais. Quando tinha uma conquista, já planejava a seguinte. O sucesso do passado não garante o futuro. A gente sempre tem de estar sonhando com outra coisa. É preciso entender as oportunidades que a gente tem na vida.

E quais os planos de expansão para este ano?

A previsão é crescer entre 15% e 20%. Somos líderes no Rio, no interior de São Paulo, no Paraná e em vários outros Estados. Realizamos várias parcerias com empresas do setor de construção, como a Odebrecht e a Camargo Corrêa. Essas companhias têm um crescimento enorme. No Rio, as obras para a Copa do Mundo (2014) e Jogos Olímpicos (2016) também acabam puxando o nosso negócio. Para se ter uma ideia, nós vamos fornecer a alimentação para os funcionários que irão participar da reforma do estádio do Maracanã. Isso vai significar picos de 12 mil funcionários para serem alimentados. Será um serviço bastante grande e complexo. Estamos focados no Brasil, mas também temos operações no México e na Colômbia. Além das construtoras, atendemos companhias da área hospitalar e da indústria automotiva. É natural que haja um crescimento do mercado para a gente, mas nós deveremos ultrapassar o crescimento desses segmentos.

E o sr. sempre pensou em criar uma empresa?

Eu nasci no Uruguai, mas me criei no Brasil. Minha mãe era cabeleireira e meu pai garçom. Primeiro, fomos para o Rio Grande do Sul. Depois me mudei para São Paulo e decidi abrir uma empresa. Os recursos para criá-la eram baixos. Só tinha o meu fundo de garantia que se somou ao dinheiro que consegui vendendo o meu carro Gol GTI em 1992.

Por que o sr. escolheu essa área?

O meu pai já tinha um restaurante. Eu estudava de manhã e, na parte da tarde, trabalhava como garçom no restaurante dele. Eu detestava porque tinha que trabalhar todos os fins de semana (risos). Cansei e decidi trabalhar fora. Fiz um estágio na área administrativa, mas eu não aguentei nem 15 dias ficar sentando atrás de uma mesa e trancado num escritório. Também passei por uma empresa de hotelaria até chegar ao meu segmento. O meu trabalho me permitiu atuar com aquilo que gosto, sem necessariamente ter de trabalhar todos os fins de semana e feriados.

E quais foram as dificuldade do início? O sr. se inspirava em algum outro negócio?

É óbvio que comandava uma empresa desconhecida. Mas o meu primeiro cliente disse que me escolheu por causa do brilho dos meus olhos. Eu tinha o sonho de trabalhar em São Paulo, uma cidade grande onde várias coisas acontecem. Eu vim de corpo e alma. E, aos poucos, eu ia conquistando a confiança dos meus clientes. Eles percebiam que eu tinha comprometimento e compromisso com aquilo que dizia e prometia. Na época, eu tentei aproveitar cases de sucesso. Eu lembro que me inspirei no Comandante Rolim. A TAM (companhia aérea criada por Rolim Amaro) colocava tapetes vermelhos para os passageiros embarcarem no avião. Também me inspirei no McDonald"s. Procurei aprender com essas empresas de sucesso e com as inovações que traziam, além de tentar tratar cada pessoa como única.

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