O sucesso das emissões no exterior tem preço alto

Ontem o mercado secundário de títulos registrou uma valorização de 2,5%, sobre o preço de lançamento do bônus emitido na véspera pelo Banco Cruzeiro, e de 1,5%, sobre o preço da emissão do Global 2041, do Brasil. Essas valorizações, pouco comuns, refletem o interesse por papéis brasileiros.

, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

Neste ano, segundo nosso levantamento, as emissões do Brasil no exterior, desde março, estão somando cerca de US$ 28,5 bilhões e não encontraram dificuldades para serem colocadas no mercado mundial. Ao contrário, o que se ouve no exterior são queixas de investidores de que as empresas implantadas no Brasil estão emitindo poucos papéis.

Não é de estranhar o sucesso das emissões brasileiras. Existe, na Europa e nos EUA, um excesso de liquidez decorrente da queda de investimentos neste período de crise. Por isso surgiu uma massa importante de poupança que procura aplicações. O Brasil oferece garantias aos investidores estrangeiros, não apenas pelo dinamismo atual da sua economia, mas especialmente pelo volume de reservas internacionais, apesar de certa deterioração das transações correntes do balanço de pagamentos.

Porém, existe um outro fator determinante para a procura de bônus brasileiros: a alta remuneração que está sendo oferecida aos investidores estrangeiros por um país que é campeão dos juros elevados.

De fato, se examinamos o retorno auferido pelos investidores estrangeiros, verificamos que varia de um mínimo de 4,101% ao ano (emissão do Bradesco) a 9,635% ao ano (Banco Mercantil do Brasil). O "yeld" depende do prazo do bônus, e a última emissão soberana, do Global 2041, ofereceu remuneração de 5,625% ao ano. E é bom lembrar que estão em estudos outras emissões: do Unibanco-Itaú, mínimo de US$ 500 milhões; da Gerdau, de US$ 750 milhões; e da CSN, de US$ 1 bilhão.

Isso explica também o aumento constante da dívida externa bruta, sendo que a oferta de títulos com renda fixa elevada atrai o capital estrangeiro. Estamos aproveitando a fase de um mercado internacional que, diante de poucas oportunidades nos países ricos, se mostrou pronto para aceitar papéis de países emergentes que ofereçam garantias.

É preciso reconhecer, todavia, que pagamos juros elevados em relação ao padrão internacional, que só nos atraem por serem mais baixos do que os praticados, aqui, por nossas instituições. Mas teremos de pagar regularmente os cupons, no quadro de um balanço de pagamentos frágil. É necessário ter consciência disso.

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