''O sucesso de uma empresa é obtido se ela segue a sua missão''

O argentino Adrian Ursilli, de 40 anos, desembarcou no Brasil aos 3, por causa do emprego do pai. Nascido numa família que sempre trabalhou com turismo, ele acabou migrando para a área depois de uma experiência curta com comércio exterior. Principal executivo da italiana MSC Cruzeiros no País, Ursilli anda eufórico com o potencial de crescimento do setor. No ano passado, a filial cresceu 60% e embarcou 300 mil passageiros, o que confere à empresa uma participação de 40% no mercado de cruzeiros do Brasil. E a previsão é de mais crescimento graças à classe C, consumidora cada vez mais voraz desse tipo de serviço. Para atender à nova demanda, a MSC quer bancar a construção de um terminal de passageiros no Porto de Santos. "Esse mercado é muito novo, existe há cerca de dez anos e pode crescer muito ainda", acredita Ursilli, diretor comercial e de marketing da companhia. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado.

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2011 | 00h00

Qual a avaliação que o sr. faz do setor de cruzeiros no País?

O mercado está em franca expansão. É, sem dúvida, a área do turismo que mais cresce, impulsionada pelo real valorizado. Na última crise econômica, houve uma mudança no comportamento da demanda. O consumidor ficou mais sensível e passou a comprar a passagem de última hora. Mas a recuperação no ano passado foi muito positiva. A nova classe C que o Brasil incorporou é um público muito importante e as companhias formataram produtos mais específicos para cada segmento. O brasileiro entende que pode aproveitar férias diferentes e ter novas experiências. O desafio que permanece nesse momento é superar os gargalos na área de infraestrutura.

E como vencer esse desafio?

No fim do ano passado, nós apresentamos para a Companhia de Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e para Secretaria Especial de Portos um projeto para a construção de um terminal de passageiros no Porto de Santos. A previsão de implantação é de curto prazo, até 2013, de olho nos grandes eventos que o País vai receber. (O projeto foi desenvolvido por meio de uma parceria entre arquitetos brasileiros e a empresa norte americana Bermello Ajamil & Partners, responsável por projetos marítimos nos EUA e Espanha).

Já é possível prever o custo desse projeto?

Isso ainda é muito difícil. Até porque o projeto pode sofrer alterações. O que eu posso garantir é que será um projeto de alto volume para que a gente tenha um resultado positivo. Essa mudança também pode representar uma grande oportunidade para recuperar toda a área do Valongo, em Santos.

Como surgiu o seu interesse pelo mercado de turismo?

Meus pais trabalhavam com esse setor. Eu sempre os acompanhava nas viagens e era bem crítico com relação a esse segmento. Meu pai é de origem italiana e a minha mãe é argentina, o que me ajudou a transitar pelo mercado de turismo. Optei pelo curso de administração e depois me especializei em negócios internacionais. Iniciei a minha carreira na área de importação e exportação e, depois, migrei para o mercado de turismo. A MSC é a terceira empresa dentro da área de turismo em que trabalho.

Quais os desafios de comandar uma empresa como a MSC?

Dedico aproximadamente 10 horas do meu dia para a empresa. Diretamente coordeno uma equipe de 28 pessoas, sendo 18 em vendas e 10 em marketing. Duas vezes ao mês também viajo para a outras cidades, como Rio e Salvador, para acompanhar o desempenho da MSC nesses locais. Também fazemos uma análise constante sobre qual a avaliação que os clientes fazem a nosso respeito. O sucesso de uma empresa é alcançado se ela segue a sua missão. E tentamos fazer isso.

Como especialista em turismo, quais os destinos que o sr. recomenda?

O brasileiro que gosta muito de praia deve ir para as Ilhas Gregas. Elas não são um destino tão conhecido, mas têm praias maravilhosas e um povo acolhedor. Eu também gosto muito de viajar por Buenos Aires, porque é um destino próximo e com uma diferença cultural grande em relação ao Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.