O Sudeste puxa para baixo a produção regional

O Estado de São Paulo e toda a Região Sudeste foram os responsáveis pelos piores resultados da produção industrial em fevereiro. Foi o que mostrou, terça-feira, o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o comportamento regional da produção fabril.

O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2014 | 02h08

Na comparação entre os últimos 12 meses até fevereiro com os 12 meses anteriores, a produção industrial brasileira aumentou 1,1%, mas caiu 0,1% em São Paulo, 1% em Minas Gerais, 0,9% no Rio de Janeiro e 5,3% no Espírito Santo. Esse indicador é mais significativo do que a comparação entre janeiro e fevereiro e, ainda mais, entre fevereiro de 2013 e fevereiro de 2014 - mês com dois dias úteis a mais do que a base de comparação.

A produção industrial brasileira só não caiu, na comparação entre períodos de 12 meses (a mais importante para avaliar tendências de médio e de longo prazos), por causa do bom comportamento das indústrias na Região Sul: Paraná (+6,9%), Rio Grande do Sul (+7%) e Santa Catarina (+1,6%). Sendo uma região bastante desenvolvida, os números compensaram o declínio nos centros manufatureiros mais pesados. A produção de Goiás cresceu 4,5%.

De fato, os especialistas estão convencidos de que o comportamento industrial não foi fraco o bastante para empurrar a economia brasileira para uma recessão, no primeiro trimestre. Mas não é um resultado que alimente muito otimismo.

Os números de fevereiro foram influenciados pela produção da indústria automobilística e de autopeças, mas os dados mais recentes dos revendedores (Fenabrave) e montadoras (Anfavea) revelaram que produção e vendas foram cadentes em março. A Mercedes-Benz, por exemplo, abriu um programa de demissão voluntária para cortar 2 mil vagas na fábrica de São Bernardo do Campo, informou Cleide Silva em reportagem no Estado terça-feira.

Na comparação entre os primeiros bimestres de 2013 e 2014, a queda da indústria, em São Paulo, foi de 2,4%. Foram poucos os dados favoráveis nessa base de comparação, como os do Amazonas, Pará e Região Nordeste, com destaque para Pernambuco (+8,3%), o que não altera o quadro geral.

Um dos poucos pontos positivos no levantamento do IBGE é a recuperação das indústrias de bens de capital nos Estados da Região Sul, o que revela a disposição das empresas de realizar investimentos em capital fixo, que permitirão aumentar a produção total no futuro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.