O 'Summit Imobiliário' e o futuro do setor

O Summit Imobiliário Brasil 2015, promovido há alguns dias pelo jornal O Estado de S. Paulo e pelo Secovi-SP, despertou enorme interesse, com a presença de mais de 500 participantes, muitos deles controladores de empresas, executivos e especialistas. O objetivo do encontro foi avaliar o futuro de longo prazo da atividade no País, não apenas em termos econômicos, mas levando em conta as tendências urbanísticas locais e internacionais e as políticas públicas de ocupação do solo.

O Estado de S.Paulo

23 Abril 2015 | 02h05

Que a pujança do setor imobiliário depende de crescimento econômico e da evolução da renda de famílias e empresas não há dúvida. Depende, em especial, de confiança. O valor das propriedades é elevado e exige crédito. Entre o projeto, a construção e a entrega das chaves transcorrem anos. E os empreendimentos - edifícios residenciais e comerciais, shopping centers ou centros de distribuição - serão utilizados por décadas.

O Brasil viveu um boom imobiliário entre meados da década passada e o início desta década. Um setor que já tinha grande relevância para a formação de capital e o emprego ganhou importância ainda maior, ante a valorização dos patrimônios. Mas desde 2013 o boom cedeu lugar ao temor de uma bolha, hoje afastado. A alavancagem é baixa, ou seja, o endividamento para comprar imóveis é relativamente pequeno, assim como a atividade especulativa. A acomodação de preços verificada desde 2014 tem poucas consequências.

Grupos estrangeiros que atuam no setor ou investiram pesadamente em edifícios corporativos, nos últimos anos, acreditam que o ciclo de baixa é forte, mas começam a surgir oportunidades, pois "não há crise de demanda", como notou o presidente da CB Richard Ellis, Walter Luiz Monteiro. Investidores externos "não estão olhando o curto prazo", enfatizou Celina Antunes, presidente da Cushman & Wakefield.

Projetos urbanísticos bem-sucedidos promoveram a revitalização de áreas degradadas ou mal utilizadas em Londres e em Nova York, abrindo espaço para novas construções. Em São Paulo, a transformação da região da Berrini, na zona sul, atraiu fortes investimentos.

A cautela que predomina, hoje, no mercado imobiliário é muito influenciada por recessão econômica e juro elevado. Ainda que essa situação pouco se altere nos próximos meses, os investidores em imóveis costumam olhar o longo prazo. O pressuposto é o de que o Brasil volte logo a crescer.

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