O superávit na balança comercial pouco significa

O superávit de US$ 452 milhões na balança comercial em março, com exportações de US$ 16,9 bilhões e importações de US$ 16,5 bilhões, tem pouco significado. Não houve aumento de exportações, mas fraqueza de importações, derivada da redução do ritmo da atividade econômica. As importações de bens de capital caíram 16,3%, sinal do desinteresse por investimentos. O resultado foi melhor do que o esperado por analistas, mas apenas reforçou a percepção do custo da dependência dos produtos primários.

O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2015 | 02h03

Março foi péssimo para o mercado global das commodities que mais contam para o País. Os preços do minério de ferro cederam 19%, os do café caíram 12,6% e os do açúcar, 10,3%. A queda das cotações da soja foi pouco superior a 1%, mas atingiu 30% em 12 meses. O recuo dos preços tanto do óleo bruto como dos derivados contribuiu para reduzir as importações e as exportações do segmento.

Entre março de 2014 e março de 2015, as exportações de produtos primários caíram de US$ 9,2 bilhões para US$ 7,5 bilhões e a média diária diminuiu 29,7%. As vendas de minério de ferro caíram 49,9%, para US$ 1,4 bilhão, as de soja em grão diminuíram 39,3%, para US$ 2,2 bilhões, as de petróleo em bruto cederam 24,8% e as de carne bovina, 23,7%.

A participação dos produtos primários na pauta de exportações reduziu-se de 52,4% para 44,3%. Mas o fato de os manufaturados e semimanufaturados terem pesado mais nas exportações (de 45,2% para 53%) não significou vendas maiores. Caíram 27% as vendas de aviões, 25,6% as de açúcar refinado, 22,3% as de pneumáticos e 16,9% as de autopeças. As exportações totais de manufaturados declinaram 6,1%, só crescendo as de semimanufaturados (8,8%), lideradas por catodos de cobre, ferro fundido, semimanufaturados de ferro e aço, ouro e celulose.

O comércio exterior brasileiro foi muito afetado pelo menor crescimento da China. No primeiro trimestre, a China importou 35,4% menos do Brasil e seu peso caiu de 19,3% para 14,5% no total das exportações.

Entre a segunda semana e a quinta semana de março, as exportações diárias cresceram sem interrupção. Mas seria preciso que a tendência se mantivesse para uma melhora sustentada do comércio exterior.

Ainda pior que o déficit de US$ 5,5 bilhões, no trimestre, é o recuo da corrente de comércio (exportações mais importações) de US$ 14,1 bilhões, ou 13,4% em relação a 2014.

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