Resultado do 1º mês não garante ajuste do ano todo

Integrantes da equipe econômica alertam que toda essa conjuntura favorável de curto prazo tem que ser interpretada com muito cuidado

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2018 | 23h03

O superávit recorde de R$ 31 bilhões nas contas é mais um indicador positivo de uma série de notícias favoráveis que devem marcar o cenário da economia brasileira nos próximos meses. Essa onda de otimismo já era esperada pelo governo, porém a extensão desse movimento vem surpreendendo a área econômica.

Embora de curto prazo e decorrente de fatores sazonais, o resultado de janeiro dá um alívio momentâneo referendado pela sustentação do crescimento da arrecadação generalizado em todos os setores da economia.

Integrantes da equipe econômica alertam, porém, que toda essa conjuntura favorável de curto prazo tem que ser interpretada com muito cuidado. O cenário abre uma janela de tempo maior para o Congresso aprovar as reformas que o País precisa, mas por outro lado não pode servir de indicador que o ajuste fiscal está feito. Vai ser um "ano muito bom" para a economia, destacou um integrante da equipe econômica, lembrando que a pressão vai ser toda transferida para o início de 2019.

Se o País não avançar nas reformas, tudo isso vai embora, acrescentou a fonte, reconhecendo que há risco de o crescimento de agora não passar de um “voo de galinha” semelhante ao que já ocorreu tantas vezes no Brasil. Outro risco no radar é o BC americano acelerar o processo de aumento dos juros por lá, o que pode causar estragos em países emergentes, como o Brasil, com fuga de recursos e pressão sobre o câmbio.

Uma eleição tensa e turbulenta, com candidatos poucos comprometidos com ajuste, também pode precipitar a reversão desse cenário.

Um sinal de que o ajuste permanece incompleto é que, apesar do superávit de janeiro ter sido recorde, o déficit do INSS é o pior resultado para o mês da série histórica.

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