Infográficos / Estadão
Infográficos / Estadão

O tamanho da paradeira

A crise industrial muito tem a ver com os graves erros da política econômica do primeiro período Dilma

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2016 | 21h00

A ociosidade da indústria atingiu no primeiro semestre seu nível recorde e daqui para frente deve diminuir. É o que conclui um estudo da Confederação Nacional da Indústria – CNI. (O gráfico mostra como o setor foi perdendo capacidade de utilização.)

Primeiramente, os conceitos. Toda fábrica detém certa capacidade de produção. É o que consegue produzir com a utilização de todas as suas máquinas, equipamentos e instalações, já deduzidas as paradas para reparos e revisões.

A ociosidade é determinada por vários fatores: aumento da concorrência, importações e, especialmente, por queda da demanda por seus produtos. E começou a acontecer no Brasil desde o último trimestre de 2013.

Quanto maior a ociosidade de uma unidade de produção, maiores os prejuízos (ou as perdas de renda), especialmente se vierem acompanhadas de acumulação de estoques. Máquina parada é faturamento que deixa de acontecer. Mas não é só isso. Toda indústria tem custos fixos que acontecem independentemente do nível de produção, como aluguéis, despesas com mão de obra, custos com dívidas, compromissos com acionistas e fornecedores, etc. Se o faturamento cai em consequência da baixa utilização de capacidade, aumentam os custos fixos por unidade produzida. Também crescem despesas de capital de giro em caso de encalhe de produto acabado (estoques).

As consequências não terminam aí. Indústria com grande capacidade ociosa contamina outras. Se está semiparalisada, uma confecção deixará de fazer encomendas de tecidos, aviamentos e outros materiais. Também procurará dispensar mão de obra, o que contribuirá para aumento do desemprego e adiará investimentos (veja gráfico no Confira). Em outras palavras, a baixa utilização de capacidade tende a espraiar-se pela economia. Os levantamentos da CNI verificam como a ociosidade da indústria evoluiu setor por setor. Começou com a produção de bens de maior valor (veículos, máquinas, informática, etc.) e se espalhou para os demais.

Em geral, problemas desse tipo quando disseminados não acontecem apenas por falha na administração dos negócios, embora esse fator possa agravá-los. Têm como causa distorções macroeconômicas, como crise global ou mudança de ciclo. Mas esta crise por aqui, que começou um tanto bruscamente com a queda da demanda por ocasião da Copa do Mundo de 2014, tem mais a ver com graves erros de política econômica durante o primeiro período Dilma, os mesmos que produziram os rombos nunca vistos nas contas públicas e o estouro da inflação. À medida que o ajuste se firmar e que a confiança aumentar, também se espera a recuperação da indústria.

A CNI identifica agora uma certa estabilização dos níveis de capacidade ociosa em 36%, que, associada ao aumento da confiança do empresário, sugere retomada gradual da utilização da capacidade instalada. Primeiro, caem os estoques e, em seguida, o ritmo da produção tende a aumentar.

CONFIRA:

O gráfico mostra como as intenções de investimento caíram de fins de 2013 para cá. Acompanham o aumento da ociosidade do setor produtivo.

O lado bom

Não se pode deixar de levar em conta a relação entre ociosidade do setor produtivo (e não só da indústria) e o resultado da política de juros. O Copom mencionou no comunicado divulgado após a reunião de quarta-feira que a forte ociosidade, um problemão para quem produz, tem um lado positivo: favorece a desinflação, na medida em que o empresário é desestimulado a forçar as remarcações de preços.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.