O Tesouro evita pôr pressão sobre os juros

Em abril, o resgate líquido de papéis das dívidas mobiliárias interna e externa alcançou R$ 112,6 bilhões, dos quais 98% em títulos prefixados, mas as emissões se limitaram a R$ 102,2 bilhões, segundo o relatório mensal do Tesouro Nacional. A gestão da dívida mobiliária procurou evitar pressões adicionais sobre as taxas de juros, numa fase em que as previsões inflacionárias sobem, sugerindo nova alta na taxa básica, a ser avaliada na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana que vem.

O Estado de S.Paulo

28 Maio 2015 | 02h04

Os dados revelam que piorou a composição da dívida mobiliária interna, com a diminuição de quase 1,4 ponto porcentual no estoque de títulos prefixados (de R$ 1,002 trilhão para R$ 973 bilhões) e o aumento do saldo de papéis corrigidos pela taxa Selic, de quase R$ 467 bilhões para R$ 492 bilhões. O giro da dívida dependeu, portanto, dos aplicadores mais voltados para o curto prazo, que tentam ganhar com a alta da taxa básica de juros.

Apesar do resgate líquido de R$ 10 bilhões em abril, o estoque total da dívida aumentou 0,42%, de R$ 2,441 trilhões para R$ 2,451 trilhões, pois o montante devido de juros, de R$ 27 bilhões nos papéis da dívida interna, incorporou-se ao principal.

Não obstante a tendência de alta da taxa Selic, que afeta a dívida mobiliária interna, o custo da dívida nos últimos 12 meses caiu de 13,82% ao ano, em março, para 13,60% ao ano, em abril. Isso por causa da variação negativa da taxa de câmbio, que cortou o custo da dívida em moeda externa de 42,34% ao ano, em março, para 35,52% ao ano, em abril. Uma nova alta do juro básico, em junho, voltará a elevar o custo da dívida.

A alta das taxas de juros em reais parece atrair, em especial, os estrangeiros, que aumentaram sua participação na dívida de R$ 71 bilhões no primeiro quadrimestre e de R$ 8,5 bilhões no mês passado. Também os fundos previdenciários estão aplicando mais recursos em papéis do Tesouro (+R$ 62 bilhões em quatro meses). Mas em abril apenas as instituições financeiras reduziram de R$ 12 bilhões as carteiras próprias de títulos públicos, e, no quadrimestre, o recuo foi de quase R$ 28 bilhões. Com a queda da atividade, tende a crescer a demanda por títulos públicos e cair a oferta de papéis privados.

Em abril, o prazo médio da dívida aumentou para 4,67 anos, ligeiramente acima de março (4,59 anos). Esse prazo poderá crescer se o Tesouro voltar a emitir papéis da dívida externa, como admitem os gestores da dívida.

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